Comércio de vegetais tende a crescer, aponta estudo

Claudio Belli/Valor

O comércio de legumes e vegetais é ainda predominantemente local. Apenas 5% dos vegetais cultivados no mundo são comercializados internacionalmente, diz estudo do Rabobank, que fez um mapa sobre o fluxo global desses produtos.

De acordo com o banco de origem holandesa, porém, a tendência é que essa participação cresça e gere oportunidades para países como México, Espanha e Holanda, fortes em estufas ou fazendas verticais. Em seu trabalho, os analistas da instituição também destacam o aumento de popularidade dos orgânicos.

Cerca de 70% dos legumes e vegetais cultivados no mundo são vendidos como frescos, o que dificulta o transporte internacional. "O processamento de vegetais (resfriamento, preservação e secagem) é uma boa forma de prevenir desperdício e facilitar o transporte, mas o consumo global de vegetais preservados (enlatados) baixou na última década. Ao mesmo tempo, a demanda por vegetais congelados cresceu a uma média de 1% por ano", diz o estudo do Rabobank.

Atualmente, os maiores exportadores de vegetais são China, México, Holanda, Espanha e Canadá. Já as importações são lideradas por EUA, Alemanha, Índia, Reino Unido e Canadá. Os produtos mais comercializados são tomates (22% do total), pimentas e pimentões (12%), cebolas (9%), alho (7%), pepinos (6%) e couve (6%).

O estudo mostrou, ainda, que os vegetais de mais simples preparo e consumo, assim como os que "aparecem melhor (em redes sociais) em função de efeitos na saúde ou apelo visual", são os preferidos. Os exemplos são todos os tipos de saladas e a batata-inglesa. "As importações europeias de batata doce, principalmente dos EUA, triplicaram nos últimos quatro anos."

Os alimentos orgânicos também aparecem com participações de mercado crescentes em todo o mundo. Em países ricos como Suíça, Suécia, Áustria e Dinamarca, essa participação no mercado de hortifruticultura já ultrapassou 10%. Nos EUA, chegou a 9% e vem crescendo rapidamente.

A renda não é o único fator determinante para o consumo de orgânicos. Na Holanda, a renda média é similar à da Suécia, mas apenas 5% do mercado é de orgânicos. As razões por trás disso não são claras, mas estão provavelmente relacionadas às decisões de categoria, preços, disponibilidade e qualidade dos supermercados e aspectos culturais, afirma o banco.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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