Compromisso com o fim das queimadas na Amazônia (Editorial)

O Brasil tem que assumir, pública e globalmente, seu compromisso com o fim das queimadas na Amazônia. Não adianta manter uma troca de palavras ásperas com mandatários europeus, como o francês Emmanuel Macron, quando ele conseguiu até aumentar a sua popularidade após cobrar, no recente encontro do Grupo dos 7 (G-7), uma ação do presidente Jair Bolsonaro.

Claro, não podemos nos submeter a ataques colonialistas de uma outra nação. No entanto, também não é de bom senso ignorar reclamações e pedidos de estrangeiros sobre os cuidados com a maior floresta tropical do planeta.

Ou, caso contrário, os prejuízos poderão se tornar materiais e bem claros. Empresas pararam de comprar produtos brasileiros por causa das queimadas.

Por isso mesmo, o Brasil deve apostar na comunicação e em mostrar que a imagem do País no exterior não corresponde à realidade. Não é verdadeira. Precisamos divulgar a situação daquilo que está sendo feito.

O País tomou providências, usando as Forças Armadas e contingentes das polícias militares dos nove estados que compõem a Amazônia Legal para atacar o fogo. Israel, novamente, colocou à disposição – que já estão operando – homens e equipamentos para ajudar a debelar as chamas. Não podemos esquecer que o calendário internacional do segundo semestre será muito importante para a luta da humanidade contra o aquecimento da Terra. Neste 23 de setembro, na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, acontecerá a Cúpula do Clima e, de 11 a 22 de novembro, em Santiago do Chile, será realizada a Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP 25), inicialmente prevista para o Brasil, que abriu mão de sediá-la.

O Brasil concluiu e entregou à ONU, em setembro de 2016, seu processo de ratificação do Acordo de Paris, após aprovação do Congresso Nacional.

Não pode voltar atrás, neste assunto, embora os ques t ionamentos do presidente Bolsonaro.

Oficialmente, isso significou um compromisso e não mais um protocolo de intenções. São duas oportunidades para reiterar e fortalecer os pontos referendados no Acordo de Paris e definir rumos concretos para o cumprimento da Agenda 2030, relativa aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Serão duas excepcionais ocasiões para mostrar o trabalho que estamos fazendo na Amazônia. Impedir queimadas e prender seus autores é imprescindível.

Fonte: Jornal do Comércio