Como será o amanhã?

Jorio Dauster, Paulo Rabello de Castro e Marcelo Lopes esboçaram o futuro da economia brasileira e as saídas para que o país reencontre o caminho do crescimento
Por Laura D’Angelo
brasil-amanha-450A noite de segunda-feira (5) em Porto Alegre foi reservada para pensar o futuro da economia brasileira. Afinal, como será o amanhã? Para projetar o país que emergirá de um cenário marcado por um embate eleitoral acirrado, incerteza econômica e exposição aos olhos de todo o mundo em razão da Copa, o Instituto AMANHÃ reuniu no Hotel Laghetto Viverone o economista Paulo Rabello de Castro, o diplomata, analista internacional e conselheiro de empresas Jório Dauster e o presidente do Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul, Marcelo Lopes. Mais do que apontar obstáculos, eles identificaram os caminhos que o Brasil ultrapasse a barreira doss módicos 2% de crescimento do PIB previstos por economistas para os próximos anos.   
Munido de dezenas de telas de dados e indicadores dispostos em gráficos, Paulo Rabello de Castro, economista e presidente do Instituto Atlântico e fundador da SR Rating, decretou: o maior inimigo da produtividade brasileira é o que chamou de “manicômio tributário”, em razão da carga de impostos e da complexidade do sistema que os institui. De 1997 a 2013, observou, o PIB brasileiro cresceu em média de 3,7% ao ano, enquanto as despesas do setor público se expandiram em 5,2%. Para financiá-las, a carga tributária imposta a empresas e cidadãos se tornou ainda mais pesada, e a receita do setor público cresceu a uma média ainda mais alta, de 5,7% ao ano, no mesmo período. De acordo com Rabello, isso demonstra que o governo insiste em utilizar os tributos como forma de cobrir as despesas e alcançar o superávit primário, o que considera um erro. “O superávit deveria ser atingido de forma normal, com a despesa controlada”, explica. “O resultado desta fórmula vai ser sempre ‘pibinho’”.
É este cenário pouco animador que Rabello receia nos próximos anos. Caso o presidente eleito não ataque este “câncer”, como o economista denomina os encargos tributários, o PIB brasileiro não deve ultrapassar o 2,3% de crescimento alcançados em 2013. O Movimento Brasil Eficiente (MBE), do qual Rabello faz parte, calculou que cada ponto percentual a mais na carga tributária medida em relação ao PIB compromete meio ponto percentual na taxa de produtividade calculada igualmente em relação ao PIB. Para o economista, não é à toa que fontes públicas de investimento, como o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), têm sido cada vez mais procuradas pelas empresas. Isso se dá porque o lucro retido pelas companhias não é suficiente para ser reinvestido. Além de não ter identificado no governo atual a preocupação em tratar da carga tributária, Rabello revela que os outros candidatos também ainda não mostraram ter uma agenda de medidas consistente e que dê especial atenção ao controle tributário. “Este é O assunto. Se não tiver isso como prioridade, pode esquecer o resto”, sentencia.
Um novo modelo
Ainda que tenha advertido para o risco de um futuro sombrio para a economia brasileira, Rabello acredita que o país tem um enorme potencial, capaz de credenciá-lo a obter um crescimento de 5% ao ano. Basta, no entanto, quebrar o ciclo de interesses políticos que impedem que as reformas necessárias sejam realizadas. Rabello, assim, fez coro com o pensamento do diplomata de carreira e ex-presidente da Vale, Jorio Dauster. Segundo Dauster, as alterações fiscais, tributárias e legais não vão em frente devido à composição do quadro partidário brasileiro, onde há uma troca de cargos e benefícios por votos. “O Congresso é um balcão de negócios. Os representantes são comprados para poder votar de acordo com interesse no governo, o que não resolve nenhum grande problema”, critica.
Desta forma, Dauster acredita que os modelos político e econômico brasileiros devem ser repensados. O governo de coalizão não destrava o país e perpetua um modelo econômico que beneficia somente a parcela mais rica da população brasileira, que vive de rendas e não promove investimentos no país. O grande exemplo desta distorção, segundo ele, está no fato de os bancos brasileiros atingirem lucros extraordinários tendo como principal cliente o setor público .  “Não há financiamento de longo prazo nos bancos privados. Se eles podem ganhar rios de dinheiro comprando esses papeis que o tesouro nacional coloca nas mãos deles com excelente remuneração, por que correr riscos?”, provoca Dauster. Para o ex-embaixador, se o Brasil continuar baseando seu crescimento apenas na relação renda-consumo, o PIB vai se manter na média de 2% ao ano.

Exemplo oriental  

As críticas à política econômica e à atuação do Estado brasileiro tiveram o contraponto de Marcelo Lopes, presidente do Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Presente no governo Lula como secretário de Política de Informação do Ministério de Tecnologia e assistente de Dilma Roussef na Casa Civil, Lopes enumerou o que considera conquistas da economia brasileira na última década. Entre as principais, a crescente participação de investimentos estrangeiros no país, que o tornou, em 2013, o terceiro maior mercado recebedor do mundo. “Isso demonstra a confiança dos investidores na economia brasileira”, comenta. Lopes ressaltou ainda que o desempenho do PIB no ano passado foi superior ao dos Estados Unidos e ao das principais nações europeias, perdendo somente para China e Coréia do Sul entre as principais economias.
Assim como Rabello, porém, Lopes identifica na baixa produtividade um gargalo para um crescimento mais robusto da economia brasileira. Responsabilidade que, segundo ele, deve ser dividida entre os setores público e privado. Se ao mesmo tempo o Estado emperra o desenvolvimento com a burocracia e o custo Brasil, as empresas se mostram pouco dinâmicas e não investem fortemente em inovação. Lopes destaca que o país tem um desempenho fraco na produção e comercialização de produtos com valor agregado, como os eletroeletrônicos – as maiores exportadoras brasileiras são as que vendem commodities. Mesmo no agronegócio, setor no qual o Brasil é destaque mundial, as companhias nacionais têm perdido espaço para as estrangeiras.
“O grande desafio é a completa dependência tecnológica. Estamos ficando para trás na geração de riquezas para grupos de empresas chinesas e coreanas”, detecta Lopes. E é exatamente na política industrial asiática, na qual há uma parceria entre o governo e o setor privado, que ele acredita que o Brasil deva se inspirar para ser mais produtivo. “É o Estado e as empresas locais jogando juntos, com uma estratégia para criar grupos corporativos de presença global e com capacidade de gerar valor”, exemplifica Lopes, que ressalta a importância das ações diplomáticas e de comércio exterior para que o país ganhe espaço no mercado internacional.
Lopes vê nas parcerias público-privadas iniciadas em 2013, especialmente aquelas celebradas para tocar projetos de infraestrutura,  um começo para que os dois setores se aproximem e trabalhem para o desenvolvimento brasileiro. As concessões, para Dauster, foram belas iniciativas por parte do governo atual, porém, mal executadas. O viés intervencionista do governo, que pretende manter o controle dos aeroportos com a Infraero e limitar a taxa de retorno dos sócios privados, afastou as empresas interessadas, o que, na visão do ex-embaixador, atrasou o crescimento do país. “Se tivéssemos feito isso dois anos atrás, o Brasil estaria hoje ‘explodindo’”, diz Dauster, em referência à força econômica que o país teria hoje.
A visão de Paulo Rabello de Castro
Paulo_Rabello-brasil-amanha-350“A riqueza que o Brasil pensa extrair do fundo do oceano é o segundo pré-sal. O primeiro pré-sal  já existe. É o agronegócio, que gera exportações de 80 bilhões de dólares ao Brasil.”
“Todos os economistas, à direita e à esquerda, estão caindo no equívoco de focar apenas superávit primário, e só se fala nisso. Inclusive aqueles que, como eu, estudaram em Chicago. E qual é o erro de todo mundo, inclusive dos ‘chicagões’? É deixar de perceber que não basta ter superávit primário para estar bem. Se o superávit primário for acompanhado de um aumento das necessidades de financiamento do setor público, com aumento da tributação, o resultado é um Pibinho. A despesa do setor público tem que estar controlada. Do contrário, o que se tem é o setor público engolindo o setor privado.”
“A carga tributária brasileira não é de 37% do PIB, como se diz. É mais pesada. Passa de 40%. Se levarmos em conta o conceito de carga tributária ‘marginal’, ou ‘acrescentada’,  chega a 41,5% do PIB. Já era assim nos governos FHC.  Daí os Pibinhos da era FHC. Aliás, Dilma está fechando este ano com um crescimento de apenas 2,1% do PIB, o que é um Pibinho. Não é por acaso. Afinal, estamos atualmente com uma carga tributária marginal semelhante à de FHC, 41,5% do PIB.”
“Vejam que em fevereiro deste ano a despesa total do setor público cresceu 14%. Isso é mais do que a soma da inflação e do crescimento do PIB. É insustentável.  E todos silenciam. Os meus colegas economistas também silenciam. Não há reação. Não há mais o que dizer a respeito. O que precisamos é de ação. Falta indignação da nossa parte.”
“Defende-se a educação como caminho para um aumento da produtividade, e isto é correto. Mas é preciso ter em conta que a educação terá este efeito que desejamos sobre a produtividade somente a longo prazo. No curto prazo, há outras questões, do dia-a-dia, que têm reflexo direto na taxa de produtividade, boa parte delas ligadas a, por exemplo, o descontrole sobre as despesas públicas e o manicômio tributário.”
“Cada 1%, ou melhor, cada ponto percentual a mais de carga tributária, em relação ao PIB, equivale a meio ponto percentual a menos na produtividade total dos fatores medida em relação ao PIB.”
“O Brasil, isto é, o setor público brasileiro, paga juros em uma proporção inaceitável. Estamos falando de 248 bilhões de reais que foram gastos, no ano passado, na conta de juros. E o mais incrível é que, para provocar algum efeito de controle sobre a inflação, se eleva juros. Este deveria ser o último remédio a ser cogitado, jamais o primeiro.”
“O Brasil não tem doença nenhuma, a não ser a burrice de todos nós e a falta de consciência. Até os bancos, vejam, até os bancos estão criticando o nível dos juros. Eles já chegaram ao entendimento de que não há negócio oportunista, por melhor que seja, que se sobreponha ou seja mais rentável que a melhora geral do ambiente econômico, em uma perspectiva de crescimento do país.”
“Fui mediador de um debate e não vi, ainda, um programa, um projeto da oposição para o Brasil. Disse ao {Eduardo} Campos que o candidato tem de ter uma opinião prévia. E não apenas dizer que ‘vai ouvir os brasileiros’”.
“Já está caindo a ficha dos brasileiros. Já estamos nos dando conta de esta situação só se sustenta por que somos todos uns idiotas. Não há mais o que dizer, agora é agir. Precisamos perceber que o problema do Brasil para este ano, para 2015 e os anos seguintes não é o que vai acontecer, e sim o que está não está acontecendo.  O momento é de indignação, de ação, de mobilização. É o que estamos tentando fazer no Movimento Brasil Eficiente. Reforma tributária já!”
A visão de Jório Dauster
Jorio_Dauster-brasil-amanha-350“Este dado destacado pelo Paulo, o pagamento pelo governo brasileiro de 248 bilhões de reais a título de juros somente no ano de 2013, é o retrato de uma sociedade em que os ricos não correm riscos. Vivem de rendas. Os bancos brasileiros têm lucros extraordinários, e é fácil entender por quê. É porque hoje o grande cliente deles é o Tesouro Nacional. E o Tesouro faz com os bancos um negócio que não requer deles nem sabedoria, nem disposição para correr riscos, fator que é ou deveria ser inerente a qualquer negócio.”
“Por que razão este tremendo crescimento dos financiamentos concedidos pelo BNDES? Muito porque não há no Brasil financiamento oferecido por bancos privados. Natural: eles não precisam fazer dinheiro emprestando para quem quer que seja, tendo como cliente o Tesouro Nacional. E então se cria uma situação oligárquica como a que vivemos hoje.”
“A realidade é que o déficit em conta corrente que o Brasil enfrenta hoje já estaria levando o nosso país  a uma séria crise cambial, e isso só não aconteceu ainda por uma única razão. É que temos um colchão, um nível de reservas em moeda estrangeira de 480 bilhões de dólares. E isso é resultado da obra daquele moço que fala com Deus, e fala em mandarim! O crescimento econômico mundial no período Lula, e a extraordinária demanda chinesa, foi essencial para a geração de superávits comerciais no Brasil.”
“O modelo brasileiro precisa mudar. Mas as reformas todas de que precisamos, e em particular a reforma fiscal, não têm a menor chance de acontecer enquanto perdurar este formato em que o país é comandado por governos de coalizão que negociam apoio com um Congresso controlado por 33 partidos. Trinta e três partidos! E quase todos sem ideologia, transformados em meros balcões de negócios.  É uma situação espúria, em que representantes do povo precisam ser comprados para que alguns projetos avancem. Qualquer presidente ficam obrigado a fazer estas barganhas. Uma coisa inadmissível. Aliás, é por conta desta situação que foi instituída a figura da Medida Provisória. Se não existissem as MPs, governos ficariam paralisados.”
“Hoje, eu olho para o Congresso e não me sinto representado. Ninguém se sente, e não por acaso este é um dos motes das manifestações de protesto.”
“Não podemos nos acostumar com inflação novamente. Uma inflação persistente, mesmo que ainda abaixo do teto da meta, já é sintoma de doença. Principalmente em uma economia como a do Brasil, que tem um nível de indexação de preços que favorece a retroalimentação da alta de preços. Acho muito preocupante o efeito que vamos sofrer quando acabar o represamento de preços que são importantes, como de petróleo e de energia. Até a eleição, ninguém mexe nisso, por motivos óbvios. Mas depois…”
“A eleição brasileira lembra o desafio das análises combinatórias, matéria de escola. Por incrível que pareça, até dia 15 de setembro é possível mudar o candidato. Não sabemos, ainda, ao certo, quais serão os candidatos, dentre as possibilidades que existem.”
“A surpresa no cenário político atual é que o campo não está limpo para Dilma, como se previa. Mas a oposição precisa construir propostas. Os brasileiros não querem só críticas. Querem um projeto de Brasil.”
“A Copa do Mundo poderá ser um fator de desequilíbrio no quadro econômico e político, pois está sendo transformada em uma oportunidade e em um canal de manifestações de protesto e, também, de reivindicações. Todas as emissoras de TVs do mundo estarão aqui, no Brasil. O que mostrarão? Violência? A maneira como o país vai sair desta Copa vai depender até mesmo do sucesso do Felipão.”
“Dilma teve duas belas intenções que, por si sós, poderiam fazer seu governo entrar para a história. A primeira delas foi a tentativa de baixar os juros. Mas ela errou por conduzir este processo de modo violento, brusco, e com uma política fiscal frouxa. Foi um esforço de caráter muito mais, digamos, voluntarista, e o resultado é que os juros já estão de volta…  A ideia de usar os bancos públicos para forçar uma baixa dos juros também nos bancos privados foi válida. A falha foi ter sido agressiva com os bancos. Faltou engajá-los, oferecer algumas compensações, para que baixassem o spread. Ideia ótima, execução desastrosa.”
“A segunda grande iniciativa de Dilma foi a tentativa de privatizar a infraestrutura, que hoje se tornou um ônus para o país. Dilma fez o que Lula não faria: esta privatização envergonhada, por meio de concessões. Mas dois anos se passaram e nenhum contrato de concessão foi, ainda, assinado. De novo o problema esteve na execução. Perdemos tempo e oportunidade de atrair interessados com a ideia de estipular uma taxa de retorno de 5%… Ninguém se interessou, claro. E a taxa já foi elevada para 12%. .. Outro erro é a ministra Gleisi rodar o mundo e oferecer o negócio de operar aeroportos no Brasil com uma composição de capital que os investidores não aceitaram e não aceitariam de qualquer maneira, com 49% para eles e 51% para a Infraero.”
A visão do presidente do Badesul, Marcelo Lopes
Marcelo-Lopes-brasil-amanha-350“Há um excesso de pessimismo com a economia brasilieira. O próprio Mendonça (Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente da Foton do Brasil, que está instalando uma montadora no Rio Grande do Sul) concorda com isso. Nunca houve tanto dinheiro à disposição das empresas no BNDES. E o volume de crédito também é recorde no Badesul.”
“Fernando Henrique trouxe grande contribuição ao país pela estabilidade da moeda, mas em termos de crescimento seu período foi uma tragédia, com uma taxa de desemprego da ordem de 10,5% e amplo déficit no balanço de pagamentos. A situação, hoje, apesar de todas as dificuldades, é bem mais favorável.”
“O nosso tão criticado Pibinho de hoje tem de ser visto num contexto de dificuldades de outras economias, como os países europeus e sua alta taxa de desemprego, especialmente a Espanha.  A verdade é que, dentre as maiores economias, só dois países, China e Coréia do Sul, superaram nosso Pibinho.  Considerando todo este quadro, nosso Pibinho não é tão ruim assim.”
“Entre 2000 e 2013, o investimento estrangeiro direto no Brasil dobrou: foi de 32,8 para 64 bilhões de dólares. Os desembolsos do BNDES, que eram de apenas 23,4 bilhões de reais no ano 2000, fecharam o ano passado em nada menos do que 190,4 bilhões de reais. A soma das importações e exportações do Brasil, que expressa a nossa corrente de comércio com o mundo, saíram de 110 para 481 bilhões de reais. As nossas reservas saltaram de 33 para 359 bilhões de dólares. Vivemos uma situação muito melhor, e não há nada que justifique este pessimismo com o Brasil.”
“A agenda econômica brasileira avançou. Somos a sétima economia mundial, e caminhando para avançar uma posição, ultrapassando a França. A dívida líquida do setor público é baixa: 33% do PIB. E a taxa de desemprego medida pelo IBGE nas regiões metropolitanas permanece baixa: 4,3% da população economicamente ativa.”
“ A agenda social também mostra evolução desde o início dos anos 2000, com um aumento real de 72,3% no salário mínimo -  lembram quando todos sonhavam que o salário mínimo pudesse chegar um dia a cem dólares, e isso parecia impossível? A escolarização da força de trabalho, desde então, passou de 6,7 anos para 8,5 anos, e o índice Gini de desigualdade social vem caindo desde 2001. Então, por que não acreditar na economia brasileira?”
“Acho que, em algum momento, Lula ouviu mesmo o Papai do céu – em mandarim – e soube que a recuperação e o aumento real do salário mínimo era o caminho para criar uma grande classe média.”
“A baixa produtividade brasileira têm causas ligadas ao setor público, indiscutivelmente. Mas a culpa não é só do setor público. As empresas brasileiras não investem em inovação. O Brasil é só o 30º colocado, no mundo, em patentes, e boa parte das nossas patentes são criadas por universidades ou empresas públicas e instituições de pesquisa.”
“Há gargalos e pontos de preocupação no Brasil, e temos de atacar isso. A infraestrutura precisa de mais investimentos. Há necessidade de uma reforma tributária, e a inflação deve ser trazida para o centro da meta, não pode permanecer perto do teto. Também vejo como preocupante, olhando para 2014, especificamente, a instabilidade que decorre de ser um ano eleitoral e, também, as greves e manifestações durante a Copa. Há grupos oportunistas usando este momento.”
“Devemos dar atenção para o tema da dependência tecnologia. Além da baixa produção de patentes que eu referi, é preocupante ver a pauta de exportação ainda muito concentrada em commodities agrícolas e, ao mesmo tempo, nossa dependência de fertilizantes importados. Também dependemos de variedades geneticamente modificadas que vem de fora. E até mesmo a comercialização de nossas commodities agrícolas estão em mãos de grupos estrangeiros.”
“Precisamos de mais política industrial, e não o contrário. E o nosso modelo de política industrial precisa ser aprimorado. O caminho está dando: é o modelo asiático de forte parceria entre o setor público e a iniciativa privada. Não temos no Brasil nenhum “chaebol”, nenhum grupo como a Samsung, que a partir da Coréia do Sul se estabeleceu no mundo inteiro e hoje tem receitas superiores ao PIB do Rio Grande do Sul, por exemplo.  Aliás, o Brasil é, dos BRICs, o único que não criou nenhuma montadora de automóveis.”
“Minha expectativa é que a inflação venha para o centro da meta, que a taxa de investimento tenha uma elevação a partir das parcerias público-privadas e da outorga de concessões na área de infraestrutura – e que façamos muito mais política industrial no Brasil.”

Fonte: Revista Amanhã