Com sócio, Galvão estreia em óleo e gás

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Dario Galvão, presidente: expectativa de dobrar de tamanho já neste ano

O grupo Galvão criou uma joint venture com a norueguesa Odfjell para construir e afretar três navios-sonda para a Petrobras. Com origem na engenharia e construção pesada e hoje em processo de diversificação, a companhia brasileira agora finalmente tira do papel seu projeto voltado ao mercado do petróleo – uma de suas três áreas estratégicas para os próximos anos. Com o impulso da nova área de negócios, os executivos preveem dobrar a carteira de pedidos do grupo já neste ano.

A Galvão Odfjell (50% de participação de cada grupo) será responsável pela operação dos navios-sonda para a Petrobras durante os 15 anos de duração dos contratos, prazo que pode ser estendido por mais cinco anos.

Os contratos (incluindo construção e afretamento) têm valor total de US$ 12 bilhões e foram firmados com Petrobras e a sociedade composta pela investidora Sete Brasil (80%) e Galvão Odfjell (20%). Cada uma fará aportes proporcionais para a construção dos navios, que contam ainda com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Chamados de Guarapari, Siri e Itaoca, os navios encomendados pela estatal custam cerca de US$ 1 bilhão cada um, segundo os executivos da Galvão, e serão construídos pelo Estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo. A primeira unidade está prevista para ser entregue e entrar em operação em 48 meses, contando a partir deste mês. As sondas serão capazes de perfurar a uma profundidade de cerca de 12 mil metros.

O presidente do grupo, Dario Galvão, diz que um dos maiores desafios da companhia no novo setor é angariar mão de obra. "Calculamos ter umas 200 pessoas por embarcação. Será um grande desafio", afirma. Ele acrescenta que o treinamento será essencial para reunir a força de trabalho necessária.

Por enquanto, informa Leonel Queiroz Vianna, presidente da Galvão Óleo & Gás, a companhia se dedicará exclusivamente à perfuração. No futuro, no entanto, poderá disputar contratos de unidades de produção de óleo e gás e de serviços logísticos para a cadeia do petróleo. A eventual expansão da Galvão Óleo & Gás pode incluir um sócio que garantiria investimentos necessários. Abertura de capital está, no curto prazo, descartada. "Um parceiro financeiro faz mais sentido", destaca Dario Galvão.

O presidente informa que, com o impulso proporcionado pelo contrato com a Petrobras, o grupo Galvão vai dobrar sua carteira de pedidos (o chamado backlog) já neste ano. Ao fim de 2011, essa carteira era de R$ 13,9 bilhões. Neste ano, estão previstos R$ 30 bilhões. Esse crescimento é devido à diversificação que o grupo colocou em prática nos últimos anos.

No setor de saneamento, por exemplo, a CAB Ambiental conquistou um contrato com o município de Cuiabá (Estado do Mato Grosso) neste ano que aumentou o saldo da carteira em R$ 6,5 bilhões. Hoje, esta é o maior segmento de atuação do grupo em termos de carteira, respondendo por um total de R$ 6,8 bilhões. A companhia de saneamento ganhou mais impulso em janeiro, com a compra de 33% de suas ações pelo BNDESPar por R$ 120 milhões (após ter o processo de oferta pública inicial de ações, o IPO, cancelado no ano passado por ofertas baixas).

Construção e engenharia continua sendo o segmento que alavanca os outros setores do grupo, diz Galvão. A arquitetura de financiamento – desenhada em 2009 – coloca a Galvão Engenharia no centro das outras empresas. A receita oriunda de construções, geradora imediata de caixa, banca os projetos que exigem alto investimento no curto e médio prazo e paciência na hora de contabilizar os lucros. No último ano, por exemplo, mais de 90% da receita do grupo veio da Galvão Engenharia – que, 15 anos após sua criação, já está entre as dez maiores empreiteiras do país. "A empresa está no centro das outras. É nosso gerador de caixa, nosso motor de crescimento", resume Dario.

Hoje, a holding Galvão Participações fatura R$ 2,57 bilhões. Além da construção, que contribuiu com 94,5%, o montante é completado pela atividade de saneamento, com a fatia de 5,5%. O grupo controla ainda a Galvão Energia, em fase de implantação.

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Fonte: Valor | Por Fábio Pupo | De São Paulo

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