Com safra menor de laranja no Brasil e nos EUA, oferta de suco será menor

Doenças, clima desfavorável e furacões reduzem produção americana

Laranja congelada em plantação na Flórida

Laranja congelada em plantação na Flórida – Pierre DuCharme – 19.nov.10/Reuters

Os produtores de laranja da Flórida, segundo maior mercado mundial da fruta para industrialização, devem terminar a safra 2017/18 com a produção de apenas 44,95 milhões de caixas (40,8 quilos cada).

As estimativas foram divulgadas nesta quinta-feira (10) pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Se confirmado, esse volume ficará 35% inferior ao de 2016/17 e 45% abaixo do de 2015/16.

A queda abrupta na produção dos americanos nos dois últimos anos ocorreu devido a doenças nos laranjais, principalmente o greening, clima desfavorável e furações.

O Fundecitrus divulgou nesta quarta-feira (9) que a produção do principal cinturão citrícola brasileiro —São Paulo e Triângulo Mineiro— será de apenas 289 milhões de caixas na safra 2018/19, 100 milhões abaixo do volume de 2017/18.

A expectativa de safra está abaixo das do mercado, que esperava pelo menos 300 milhões de caixas para o Brasil. Com relação aos Estados Unidos, espera-se uma volta aos 60 milhões de caixas no período 2018/19.

O mercado mundial não está acostumado a produções tão reduzidas, o que poderá levar o setor à permanência de estoques baixos de suco. Se isso ocorrer, o produtor e indústria vão produzir menos, mas manter renda, enquanto o consumidor vai continuar pagando mais pelo suco.

As perspectivas finais de fabricação de suco no Brasil, líder mundial em produção e em exportação, não são boas. Dos 289 milhões de caixas estimados pelo Fundecitrus, 50 milhões vão diretamente para a mesa do consumidor, sobrando 239 milhões para a industrialização. O rendimento industrial das frutas vai determinar o patamar de produção total de suco.

Se o rendimento industrial seguir os melhores padrões já registrados pelo país —240 caixas de laranja para a fabricação de uma tonelada de suco—, a produção brasileira da próxima safra deverá render 990 mil toneladas de suco.

Se o rendimento industrial seguir a média dos últimos anos, quando foram necessárias 275 caixas de laranja para a produção de uma tonelada de suco, o volume total de suco será de 870 mil toneladas.

Em ambos os casos, os estoques de suco deverão permanecer apertados na próxima safra. O Brasil termina esta safra em 30 de junho, e os estoques restantes deverão girar próximos de 250 mil toneladas. O país teria, somando os estoques atuais e a produção de 2018/19, uma oferta total de 1,1 milhão a 1,2 milhão de toneladas de suco.

Essa oferta não ficaria muito distante do volume das exportações, que, nesta safra que se encerra, deverá superar 900 mil toneladas.

Avaliando esses números, Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBr (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos)  diz: “Ao que tudo indica, os estoques de suco do próximo ano deverão permanecer bastante apertados”.

Adubos De cada cem amostras de adubos usadas pelos produtores de soja, 2,4 estavam fora das especificações técnicas. Os dados proveem de análises de qualidades feitas pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e pelo Ministério da Agricultura.

Produto certificado Foram coletadas 83 amostras nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Bahia. Os produtos analisados possuíam nota fiscal e estavam armazenados em locais fechados e ventilados. Os sacos estavam lacrados e dentro da validade, afirmam os técnicos da CNA.

Pressão agrícola Os preços do setor agrícola deverão continuar em alta neste mês, segundo Fábio Silveira, da MacroSector. As pressões virão de soja, algodão, trigo, açúcar, café, laranja e feijão.

Alta no atacado Na avaliação da consultoria, o Índice de Preço por Atacado deverá ter reajuste de 2,2% neste mês. Em abril, os preços médios do atacado agrícola já haviam superado 3%.

A todo vapor  A moagem de cana-de açúcar somou 60 milhões de toneladas em abril, na região centro-sul. No mesmo período do ano passado, as usinas haviam moído apenas 42 milhões.

Preferência A safra deste ano deverá ser ainda mais alcooleira do que a anterior. Neste primeiro mês, 66% da cana colhida foi destinada à produção de etanol. Em 2017, o percentual era de 58%, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

Jornalista Mauro Zafalon assina a coluna Vaivém das Commodities. Escreve sobre commodities e pecuária.

Fonte : Folha