Com reestruturação, Agropalma busca agilidade na compra de matéria-prima

Marcello Brito: empresa entrará no segmento de gorduras especiais, de alto valor
A Agropalma, maior produtora de óleo de palma do Brasil, finalizou uma ampla reestruturação em suas operações para ganhar competitividade em meio ao atual cenário de incertezas no segmento.

A empresa criada nos anos 1980 pelo empresário Aloysio Faria, ex-dono do banco Real, desmembrou-se em dois braços. Um deles é a Agropalma Agroindustrial, reunindo as áreas de plantio e usinas de extração de óleo. Outro, cujo nome comercial não foi definido, será voltado ao "mercado", onde estão agrupadas as refinarias.

A intenção é dar agilidade e flexibilidade às atividades operacionais, afirmou ao Valor Marcello Brito, ex-diretor comercial e agora diretor-geral para o braço de refino do grupo. "A empresa atingiu outro patamar de posicionamento no mercado, então essa flexibilização era importante", disse ele.

Com forte presença no mercado externo, a Agropalma registrou no ano passado seu segundo prejuízo operacional em 34 anos (os dados ainda não foram divulgados) devido às oscilações do câmbio, apesar do faturamento ter se mantido inalterado, na casa dos R$ 700 milhões. No mercado externo, o segmento vinha de um momento ruim nos preços, com oferta mundial abundante de palma, que só foi revertido com os impactos da devastação das florestas de palma da Ásia pelo fenômeno El Niño.

A decisão pela divisão em duas companhias, no entanto, é resultado da urgência do grupo em dar velocidade e ganhar competitividade na aquisição de matéria-prima. Sob um mesmo comando, toda a palma produzida pela Agropalma no Pará era absorvida pela refinaria em Belém, que transforma o óleo bruto em produtos utilizados desde a indústria alimentícia à farmacêutica. Com a nova estrutura, será possível ir ao mercado buscar o óleo que for mais "interessante" – em outras palavras, barato. "Somos independentes, podemos comprar ou não uma da outra", diz Brito. "Se o preço estiver melhor na Ásia, importo mais. Teremos condições de medir melhor".

Essa liberdade se tornou crucial à medida que a companhia se prepara para inaugurar sua segunda e mais aguardada refinaria. Com R$ 260 milhões investidos, a unidade em Limeira (SP) está em fase final de construção e fará a estreia da Agropalma no Sudeste, aproximando produção e comprador. Mais que isso: permitirá a entrada em um segmento bastante lucrativo – o da produção de gorduras especiais, de alto valor agregado.

A planta de Limeira terá capacidade de produção de 450 toneladas por dia e refino e mais 300 toneladas por dia de fracionamento de palma e 50 toneladas de palmiste. Além disso, terá uma linha de hidrogenação (gordura trans voltada a cosméticos) e de interesterificação (rearranjo da cadeia química para diferentes óleos).

"Essas linhas são estratégicas e permitirão criar diversas gorduras que substituirão a manteiga de cacau", diz Brito. "A demanda por essas gorduras é forte na América Latina e o Brasil importa 100% do que precisa. Com essas opções, fugimos das commodities e vamos conseguir fazer o óleo que o cliente quiser".

A expectativa é que a nova unidade duplique o faturamento da companhia em 24 meses.

A Agropalma Agroindustrial detém 40 mil hectares de área plantada com palma no Pará, e conta com outros 11 mil hectares de áreas de pequenos produtores. Diferentemente da concorrência no país, onde atuam ADM, Petrobras e Vale, sua produção é certificada com o selo RSPO, que garante o plantio sustentável e sem destruição da floresta.

Fonte ; Valor

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