Com o fim da crise hídrica, Valmont vislumbra avanço

Segundo Rebequi, vendas caíram 20% em 2015, mas expectativa é de retomada
A americana Valmont, uma das maiores fabricantes de equipamentos para irrigação do mundo, está confiante na retomada do setor no Brasil em 2016. Com a escassez de chuvas aparentemente superada no país, especialmente no Centro-Sul, a companhia espera crescer pelo menos 5% a 10% no país este ano. "Com a crise hídrica superada, o agricultor deve voltar a buscar alternativas para elevar sua produtividade sem a necessária expansão horizontal, e a irrigação pode trazer esse incremento", disse ao Valor João Rebequi, presidente da empresa no Brasil.

Depois de resultados bastante positivos em 2014, a Valmont, assim como as demais companhias do setor, mergulhou num 2015 turbulento, em que a irrigação foi alçada à condição de "vilã" com a estiagem no país. As dificuldades no acesso ao crédito oficial e as incertezas com a economia contribuíram para que o produtor colocasse o pé no freio dos investimentos. "Seguimos a média das empresas do setor, que caíram [em vendas] 20% no ano passado".

A Valmont não detalha o faturamento no Brasil, mas globalmente fechou 2015 com queda de 27,7% na receita vinda de sua divisão de irrigação, para US$ 612,12 milhões. O montante equivale a 24% do faturamento da empresa, que também atua no segmento de infraestrutura.

Com seus pivôs centrais (equipamentos automatizados que se movem a partir de um ponto fixo), vendidos sob a marca Valley, a empresa calcula responder por mais da metade das vendas no setor. O Brasil é o segundo mercado da companhia, superado pelos EUA, onde 22% da área é irrigada. Aqui, são 10%. Mas dos 60 milhões de hectares semeados no Brasil, estima-se que ao menos metade possa ser irrigada.

A disparada dos preços das terras nos últimos anos tornou mais viável investir para ter água à disposição das lavouras, afirma Rebequi. No passado, uma área aberta regular, em região nobre do país, custava 200 a 300 sacas de soja por hectare. Hoje, pode chegar a mil sacas. "Então, comparativamente, ficou mais barato comprar um sistema de pivô, que sai por R$ 6 mil a R$ 10 mil por hectare". O retorno, ressaltou ele, está associado a produtividades de 25% a 35% superiores e à possibilidade de uma terceira safra.

Para Rebequi, a estratégia de modernização dos agricultores também chegou a um ponto favorável à irrigação. Na última década, os produtores já reduziram a defasagem de bens de capital fundamentais, como tratores, colheitadeiras e plantadeiras. "Agora, caminham para o ‘segundo andar’, ampliando benefícios em armazenagem, agricultura de precisão e irrigação".

Os recentes episódios de seca em Mato Grosso e no Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) podem abrir oportunidades importantes à Valmont, avalia o executivo. Entre as culturas, a atenção está mais focada em grãos, cana-de-açúcar e café. "Mas o pivô é multicultural e viemos investindo na capilarização da nossa rede. Tínhamos 29 pontos de revenda em 2013, e fechamos 2015 com 45".

A Valmont está concluindo um investimento que absorveu US$ 5 milhões nos últimos cinco anos e priorizou a modernização de sua fábrica em Uberaba (MG). Com o dólar mais favorável desde meados de 2015, a empresa voltou a exportar para Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, e estuda vendas para a África.

O ambiente doméstico, porém, já dá sinais mais positivos neste começo de 2016. Os processos de liberação de crédito estão "andando de forma normal", diferentemente de um ano atrás. "Este ano também está tudo mais claro, já temos inclusive o pré-custeio [para a safra 2016/17]".

Por Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor

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