Com o CAR travado, ministra repassa a “bola”

Na abertura da Agrishow, Kátia Abreu mostra que agronegócio só terá mais prazo para cadastrar imóveis com aprovação do Ministério do Meio Ambiente

Postado em 27 de abril de 2015

“O CAR é com a ministra Izabella Teixeira”, afirmou Kátia Abreu.

“O CAR é com a ministra Izabella Teixeira”, afirmou Kátia Abreu.

Autor: Carlos Guimarães Filho

A oito dias do fim do prazo para registro de imóveis no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e com o sistema travado, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, se esquivou ontem de falar sobre uma possível prorrogação. Ela esteve na abertura da Agrishow, maior feira do máquinas agrícolas do país, que segue até sexta-feira em Ribeirão Preto (SP), mas deixou o assunto sob a responsabilidade da ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

“O CAR é com a ministra Izabella Teixeira”, afirmou Kátia Abreu, endossando a informação de que o limite para registro dos imóveis está no fim. No início do mês, quando esteve na ExpoLondrina, em Londrina (Norte do Paraná), Izabella Teixeira negou expectativa de prorrogação. O prazo para registro dos imóveis no CAR termina às 23h59 do dia 5, próxima terça-feira.

No Paraná, por exemplo, somente 10% dos imóveis foram cadastrados. Os produtores rurais reclamam estar enfrentando dificuldades para acessar o site onde está inserido o sistema (www.car.gov.br) e que não conseguem fazer operações como o download de mapas ou envio do cadastro consolidado. A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) informa que recebeu mais de 100 telefonemas nos últimos dias de produtores relatando problemas. O carregamento de conteúdo era parcial ontem durante o dia.

Lobby

As entidades do agronegócio aproveitam a última semana antes do fim do prazo para pressionar o governo federal pela prorrogação do prazo. De acordo com o diretor executivo da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, o setor esperava uma adesão maior. Porém, diante do quadro adverso, a ampliação do prazo é fundamental.

“Nós estamos pleiteando a prorrogação por mais um ano. Do contrário, nos preocupa a restrição de crédito para quem não fizer [registro no CAR]”, disse Junqueira.
Izabella Teixeira argumentou, quando esteve na ExpoLondrina, que os estados receberam R$ 400 milhões e foram treinadas mais de 40 mil pessoas para o cadastramento.

Vendas devem se repetir às vésperas de alta nos juros

A Agrishow começou ontem com a meta de repetir o desempenho do ano passado. Conforme estimativa da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), uma das realizadoras do evento, a expectativa é gerar R$ 2,7 bilhões em negócios, mesmo faturamento da edição de 2014. O número se embasa no ânimo dos principais segmentos que compõem o agronegócio e na própria previsão de alta nos juros dos financiamentos, hoje em 6,5% ao ano, a partir de julho.

Segundo o vice-presidente da Abag, Francisco Matturro, os juros atuais ainda estimulam compras de maquinário agrícola, mas ele demonstrou incertezas em relação ao próximo Plano Agrícola e Pecuário (PAP). “Ninguém sabe o que esperar para 2015/16. Pode ser um plano safra que não financie um volume tão grande.”

Em entrevista coletiva após a solenidade de abertura da feira, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, declarou que os juros da próxima safra serão próximos “de neutros” (ante a inflação). Ela reafirmou que o anúncio do PAP será em 19 de maio e antecipou que o preço mínimo do trigo terá reajuste de 4,5%. O valor atual é de R$ 33,45 por saca de 60 quilos.

Fonte: Gazeta do Povo