Com nova granja, Agroceres PIC completa ciclo de investimentos

Depois de investir R$ 15 milhões, a Agroceres PIC, maior empresa de genética suína do país, inaugura hoje uma nova granja em Itabirito (MG). Com isso, a companhia conclui um ciclo de investimentos que absorveu em torno de R$ 80 milhões nos últimos cinco anos, afirmou ao Valor o presidente do grupo Agroceres, Marcelo Ribeiral.

Sociedade entre a Agroceres e a inglesa PIC, a companhia de genética suína já tem 70% do mercado machos e 40% de segmento de matrizes (fêmeas) no Brasil. O negócio de genética suína movimenta mais de US$ 135 milhões por ano no país, de acordo com estimativa feita em 2016 pela consultoria Markestrat a pedido da Associação Brasileira de Criadores de Suínos e do Sebrae.

A aposta da Agroceres PIC é que nos próximos anos o mercado crescerá e ganhará qualidade. A tendência de ampliação do rebanho decorre dos projetos recentes de construção de frigoríficos, como os da Adele, da Alegra e da Frimesa, todas no Sul do país. Pelas projeções da Agroceres PIC, o plantel de matrizes aumentará 10% até 2022. Hoje, o plantel totaliza 1,8 milhão de matrizes.

Paralelamente, a suinocultura brasileira deve intensificar o movimento de migração de tecnologia ao longo dos próximo anos, segundo Marcelo Ribeiral.

Diferentemente de mercados mais maduros como o americano e o europeu, onde predomina a venda de sêmen, a genética no Brasil ainda é majoritariamente feita a partir da venda dos machos. Mas isso já começou a mudar, afirmou o executivo.

Conhecida no jargão do setor como "genética líquida", a venda de sêmen ainda representa menos de 10% do mercado de machos no Brasil. "Na Europa e na América do Norte, o percentual é próximo de 70%", afirmou o diretor superintendente da Agroceres PIC, Alexandre Rosa.

A avaliação da companhia é que o ganho de produtividade na venda de sêmen deverá estimular a mudança de padrão tecnológico pelos pecuaristas. De acordo com Rosa, a genética líquida aumenta de 3% a 5% a taxa de parição das matrizes, o que não é pouco para um segmento que tem margens apertadas.

Foi nesse contexto que, em 2013, a Agroceres PIC inaugurou a primeira granja voltada à venda de sêmen no país, em Fraiburgo (SC). No ano passado, entrou em operação a unidade de Laranjeiras do Sul (PR). Agora, é a vez de Itabirito, que tem capacidade para alojar 450 animais. A companhia também tem granjas menores de genética líquida em Presidente Olegário e Patos de Minas, ambas em Minas Gerais.

Com todas as granjas em atividade, a capacidade de alojamento de suínos da empresa chegará a 2 mil animais, o que lhe permitirá fornecer sêmen para 25% do plantel de matrizes – em torno de 500 mil animais. De acordo com Rosa, um macho pode produzir doses de sêmen para 400 fêmeas ao ano.

Afora o plantel de 2 mil animais das granjas voltadas à produção de sêmen, a Agroceres PIC também tem outras granjas direcionadas para o modelo tradicional, de venda de machos. Ao todo, o plantel da companhia é de 4 mil machos.

Com sede em Rio Claro (SP), a Agroceres não detalha dados de faturamento por área de atuação. Como um todo, o grupo fatura mais de R$ 700 milhões ao ano. O carro-chefe do grupo é o negócio de nutrição animal. A companhia, fundada em 1945, também atua em sementes de milho, formicidas, fertilizantes especiais e palmito pupunha, além da genética suína.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *