Com Nova Fronteira, moagem da São Martinho deve avançar

A aquisição dos 49% que a Petrobras detinha na joint venture da usina sucroalcooleira Nova Fronteira, em Goiás, vai permitir ao Grupo São Martinho elevar o processamento de cana na próxima safra, a 2017/18.

De acordo com projeções divulgadas ontem pela companhia em encontro com analistas, sua moagem de cana na safra 2017/18 deve ficar em 22,55 milhões de toneladas, 17% acima das 19,291 milhões de toneladas da safra 2016/17. A produção de açúcar deve crescer 7%, para 1,392 milhão de tonelada, enquanto a produção total de açúcar recuperável (ATR) deve subir 20,4%. E a produção de etanol deve crescer 36,9%, para 913 mil metros cúbicos.

Segundo a empresa, "boa parte" do crescimento da moagem deverá vir da incorporação na Nova Fronteira. Na semana passada, a São Martinho companhia exerceu o direito de preferência de compra dos ativos que estavam em posse da Petrobras. As duas companhias eram sócias desde 2010 na Nova Fronteira. A petroleira receberá pouco mais de 24 milhões de ações da São Martinho como pagamento.

O diretor financeiro e de relações com investidores da São Martinho, Felipe Vicchiato, ressaltou no evento com analistas que o negócio não deverá trazer risco adicional à companhia. "O risco não existe já que somos operadores da usina desde o início", disse. Ele informou, também, que o lucro por ação da companhia sobe 32,5% após a transação.

O negócio com a Petrobras deve ser concluído entre meados de fevereiro e março do ano que vem, estima a São Martinho. Com a compra da fatia da petroleira, a relação dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros impostos depreciação e amortização) da São Martinho passa de 2,1 vezes para 1,7 vez. "Essa relação já considera 100% da dívida líquida da usina, sendo que 60% da dívida é via BNDES a um juros de 6% ao ano pré-fixado. O nosso custo médio de capital acaba caindo", afirmou.

Para a próxima safra, Fábio Venturelli, presidente da companhia, aposta em patamar de preço rentável. Ele disse a menor produção de cana-de-açúcar – estimada em 580 milhões de toneladas pela empresa -, deverá ser traduzida em preços mais rentáveis. "Vai ser uma safra bem interessante, na qual você vai tentar maximizar a produção de açúcar e álcool", disse. A previsão da São Martinho é de preço médio do açúcar entre R$ 200 e R$ 300 por tonelada na safra 2017/18.

  • Por Kauanna Navarro | De São Paulo
  • Fonte : Valor

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