Com Monsanto na berlinda, Bayer inicia integração

A alemã Bayer, uma das maiores empresas de agrotóxicos e sementes do mundo, concluiu ontem a venda dos ativos globais de sementes de hortaliças, sob a marca Nunhems, para a também alemã Basf. Essa era pendência que faltava para que a Bayer pudesse começar a integração dos ativos da americana Monsanto, a maior do mundo em sementes.

A venda da área de sementes da Bayer era uma exigência de órgãos reguladores para a aprovação da compra da Monsanto.

Em nota, a Basf afirmou que "a conclusão completa a aquisição de uma significante gama de negócios e ativos, com vendas combinadas em 2017 de € 2,2 bilhões, que a Bayer colocou à venda no contexto de sua fusão com a Monsanto. O valor da compra totalizou € 7,6 bilhões, sujeito a ajustes no momento do fechamento".

A conclusão da operação, que permitirá à Bayer iniciar o processo de integração com a Monsanto, acontece num momento delicado. Isso porque o glifosato, desenvolvido pela Monsanto, está na berlinda depois de que a Justiça da Califórnia decidiu que a empresa deve indenizar um jardineiro de San Francisco, que afirma ter desenvolvido um câncer após exposição a dois herbicidas à base de glifosato (Ranger Pro e Roundup).

Pela decisão, passível de recurso, a Monsanto terá de pagar US$ 289 milhões em indenização a Dewayne Lee Johnson, que foi diagnosticado com linfoma não-Hodgkin.

A notícia assustou a cadeia produtiva americana – e a brasileira -, pelo risco de que a decisão da Justiça da Califórnia abra precedentes para outras resoluções similares. Só nos EUA, há cerca de 5 mil ações contra a Monsanto por supostos casos de câncer associado ao insumo.

E as polêmicas continuam. Ontem, o jornal The Guardian, do Reino Unido, afirmou que um novo estudo apontou que níveis significativos de glifosato foram encontrados em uma série de cereais matinais, aveia e barrinhas de cereal comercializados nos EUA.

Ainda de acordo com a publicação, a organização ambiental americana Environmental Working Group aponta que há vestígios de glifosato em 43 entre 45 produtos derivados de aveia.

Desde o anúncio da conclusão da compra da Monsanto em 4 de junho, as ações da Bayer caíram 23,78% na bolsa de Frankfurt.

Em nota sobre a conclusão da venda dos ativos à Basf, a Bayer disse que agora poderá "se envolver ativamente nos esforços de defesa nos testes com o glifosato e em quaisquer outras disputas legais, como potenciais reclamações por danos relacionados ao produto Dicamba [outro herbicida]".

No Brasil, o uso do glifosato está em xeque. Neste mês, uma decisão da 7ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal determinou a suspensão do registro do produto a partir do dia 3 de setembro até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua a reavaliação toxicológica do herbicida.

A Basf, por seu lado, informou que a conclusão da compra dos ativos de sementes de hortaliças da Bayer lhe permitirá trabalhar num portfólio mais amplo. "A inovação traz um conhecimento em termos de melhoramento genético em hortaliças", afirmou Fábio Del Cistia, vice-presidente de marketing da Basf para a América Latina.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor

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