Com Lactalis na berlinda, CEO fala sobre ‘crise da salmonela’

O presidente da francesa Lactalis, Emmanuel Besnier, falou no fim de semana, ao "Journal du Dimanche", sobre a crise de confiança que colocou a gigante de lácteos na berlinda depois da contaminação de fórmula infantil com salmonela na unidade de Craon, no departamento de Mayenne, no oeste da França.

Em sua primeira entrevista em 17 anos, o dono do Lactalis afirmou que há 83 países afetados – para onde a empresa exportou produtos da unidade de Craon — nos quais estão sendo aplicados os mesmos procedimentos de recall usados no território francês. "Nós instalamos uma célula de crise tanto para o exterior quanto para a França", disse. Ele não informou quais são os países potencialmente afetados.

Na França, onde 35 bebês ficaram doentes após ingerir o produto, o governo anunciou na sexta-feira que todo o leite em pó para bebês fabricado na planta de Craon, que está fechada, deve ser retirado do comércio, não importa sua data de fabricação. Inicialmente, o recall se aplicava a produtos fabricados desde 15 de fevereiro.

Besnier afirmou ao jornal que a decisão de ampliar o recall foi da própria Lactalis. "Fui eu quem propus a Bruno Le Maire [ministro da Economia francês] para simplificar o procedimento do recall. Com a medida, o varejo não terá mais de fazer triagem, sabe que é necessário retirar tudo das prateleiras". Segundo ele, mais de 12 milhões de caixas de produto foram afetadas. "É preciso verificar tudo".

Questionado por que produtos contaminados continuaram a ser vendidos após três recalls, Besnier disse que "todo mundo está mobilizado para descobrir o que ocorreu. Houve, talvez, erro humano (…) As operações de recall são procedimentos habituais para o varejo. O período de férias pode ter tido um impacto", avaliou.

A crise de sanidade na Lactalis ocorre num momento em que empresa enfrenta imbróglio judicial no Brasil. Em dezembro, a francesa, que é dona de marcas como Batavo, Elegê e Balkis, comprou a Itambé da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR). Mas no mesmo mês, a Justiça suspendeu a operação, após a Vigor, que era sócia da CCPR na Itambé, entrar com medida cautelar alegando que o negócio feriu o acordo de acionistas. Na semana passada, a Justiça decidiu que cabe à câmara de arbitragem dar a palavra final sobre a validade do negócio, que segue suspenso.

Por De São Paulo

Fonte : Valor

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