Com custo recorde, lavouras de soja devem ter menor avanço da história em MT

Puxada pelos fertilizantes e defensivos, despesa salta 11% no estado e deixa agricultores cautelosos às vésperas do início do plantio

No maior estado produtor de soja do Brasil, os agricultores devem começar a nova safra mais apreensivos do que em ciclos anteriores. Motivos para isso não faltam: as incertezas provocadas no mercado do grão pela guerra comercial entre China e Estados Unidos; as fortes oscilações do câmbio; as dúvidas quanto ao real tamanho da safra norte-americana; e, claro, os elevados custos de produção que novamente batem recorde.

Para plantar um hectare de soja em Mato Grosso, o agricultor precisa gastar em média R$ 2.302,75 com a compra de insumos e despesas com mão-de-obra e operações com máquinas e implementos. É o chamado “custeio da lavoura”, que hoje está 11% mais caro que há um ano (o equivalente a pouco mais de R$ 226/ha). A informação é do Imea, que monitora mensalmente a evolução dos custos no campo. Nesta alta, destaque para o aumento dos gastos para adquirir micronutrientes (+36%), macronutrientes (+23%), herbicidas (+19%), fungicidas (+11%) e sementes (+8%).

Esta conta coloca em alerta aqueles produtores que ainda não compraram os insumos para a safra. Ainda segundo o Imea, o ritmo desta aquisição está levemente atrasado em relação ao último ciclo. A um mês do sinal verde para início do plantio, 90% dos insumos que devem ser usados no estado foram comprados. Há um ano, os agricultores já tinham adquirido em 91,7% dos produtos que viriam a ser utilizados na safra 2018/19.

O cenário de incertezas resulta em pé-no-freio quando o assunto envolve novos investimentos. A previsão até aqui é de que as plantações de soja ocupem ao todo 9.722.668 hectares em Mato Grosso, um incremento de 56.709 ha (+0,59%) na comparação com a área total cultivada no ano passado. Se confirmado, este será o menor “avanço” da área destinada à produção da oleaginosa já registrado no estado. Na última safra, por exemplo, a expansão foi quase três vezes maior (159.290 ha). Vale lembrar que a maior parte deste crescimento tem ocorrido na região norte, principalmente sobre antigas áreas de pasto que são convertidas em agricultura.

Fonte : Canal Rural