Com ações e sem dívidas, Vigor planeja investimento e não descarta aquisições

Zé Carlos Barretta/Valor / Zé Carlos Barretta/Valor
Gilberto Xandó, presidente da Vigor, diz ter planos audaciosos para a empresa

Depois de voltar à BMF&Bovespa na última sexta-feira, a Vigor, até então uma divisão de lácteos da JBS, traçou planos audaciosos para os próximos anos. Com um endividamento praticamente irrelevante, a empresa se vê em plenas condições de utilizar o mercado de capitais para levantar os recursos para fazer frente aos R$ 200 milhões anuais programados para investimentos e, inclusive, realizar aquisições, afirmou em entrevista ao Valor o presidente da Vigor, Gilberto Xandó.

"Somos geradores de caixa e, com um endividamento quase zero, podemos aumentar nossa alavancagem", disse o executivo. A expectativa de Xandó, contudo, é que os investimentos tomem corpo em 2013. "A modernização das fábricas que fizemos há dois anos dá tranquilidade no próximo um ano e meio", pondera o executivo.

Só a partir de então, explica ele, é que a Vigor dará sequência aos planos de construir duas fábricas e mais dois centros de distribuição, ambas para atender o que a Vigor chama de "Sudeste ampliado" – São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. Com isso, a empresa vai mais que triplicar seu faturamento, para cerca de R$ 5 bilhões em até dez anos. No ano passado, a Vigor registrou um faturamento líquido de R$ 1,3 bilhão.

Apesar das projeções de crescimento, as ações da Vigor sofreram em seu dia de reestreia na bolsa. Entre 1984 e 2004, os papéis da empresa já eram listados na bolsa. Na sexta-feira, as ações da empresa desabaram 19,4%, para R$ 6,40. "É um papel sem liquidez, que possui apenas um milhão de ações de "free float" [ações livres para circulação], o que dá R$ 7 milhões. É muito pouco e isso ajuda a explicar a queda das ações", explicou o analista do Barclays, Gabriel Lima.

Questionado sobre a queda das ações, Xandó afirmou que a empresa trabalha com horizonte de longo prazo. "É evidente que queremos que as ações subam, mas não entramos na bolsa para operar o valor da ação no curto prazo", disse.

O executivo pondera, ainda, que o mercado não teve condições de precificar a empresa, já que a abertura de capital da Vigor, por meio da troca de ações da JBS por papéis da empresa de lácteos, não foi uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). "Só pudemos conversar com os atuais acionistas da JBS. É só agora que vamos começar a contar a história e a estratégia da Vigor para os investidores em geral", ressaltou Xandó.

"A JBS ainda não deu grandes explicações sobre o negócio da empresa e, portanto, os novos investidores ainda estão cautelosos", concorda o analista do Barclays. Ele acredita que o modelo de negócios e os números da Vigor parecem atraentes, mas a direção da empresa terá que dar mais esclarecimentos ao mercado a respeito da expectativa para que os negócios possam deslanchar.

Para justificar a aposta na Vigor, Xandó tem como trunfos a baixa dependência em relação ao leite longa vida (UHT), que tem derrubado as margens dos laticínios pelo país, e a força de seu portfólio de marcas, com a preponderância de produtores de alto valor agregado, notadamente o iogurte e queijos nobres. Segundo Xandó, o leite UHT representa apenas 8% do faturamento da Vigor, enquanto a participação de iogurtes e queijos nobres, cujos margens de lucro são bastante elevadas, é de 48%.

Outra vantagem da Vigor, explica, é a baixa necessidade de utilização de capital de giro. "Como a maioria dos nossos produtos são bastante perecíveis, não trabalhamos com estoques, diz Xandó. E nem mesmo o leite longa vida, cuja facilidade é justamente a validade nas gôndolas, é estocado. "Nossa operação de leite UHT é da mão para a boca", brinca o executivo.

O foco em produtos de valor agregado também se refletirá nas possíveis aquisições, diz Xandó. "O leite será complementar em nosso portfólio. Então, não seremos nós os consolidadores do segmento", ressalta. Com isso, o executivo aproxima a estratégia da Vigor com a das gigantes Danone e Nestlé, e se distancia de empresas nacionais como BRF – Brasil Foods e LBR – Lácteos Brasil. (Colaborou Natália Viri)

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Fonte: Valor |

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