Com a alta do dólar, IGP-M volta a acelerar

Fonte: O ESTADO DE S. PAULO – SP

Índice subiu 0,65% este mês, com avanço de 0,21 ponto porcentual em relação a agosto

Márcia De Chiara

A disparada do dólar já começa a influenciar os preços das matérias-primas no atacado. O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) subiu 0,65% este mês, com avanço de 0,21 ponto porcentual em relação a agosto. O indicador é usado para reajustar os aluguéis, entre outros contratos. Por isso tem força para propagar a inflação para outros setores da economia.

A maior contribuição para a alta do IGP-M de setembro veio do atacado, que responde por 60% do indicador, e subiu 0,74% este mês, ante elevação de 0,57% em agosto. Esse resultado foi influenciado especialmente pelas matérias-primas brutas, que ficaram 2,04% mais caras em setembro. No mês anterior, os preços desse grupo de produtos tinham subido 1,51%.

Soja, minério de ferro e café foram os itens que mais pressionaram a inflação no atacado em setembro, com elevações de 5,92%, 3,36% e 10,58%, respectivamente. Esses itens são commodities, isto é, produtos cujos preços são formados em dólar no mercado internacional.

"O IGP-M de setembro tem algum efeito da taxa de câmbio", diz o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz. Ele pondera, no entanto, que a coleta dos dados do indicador de setembro, encerrada no dia 20, não pegou a fase em que o câmbio atingiu níveis recordes. "O futuro do IGP-M será determinado pelo dólar e vai depender do novo patamar em que a moeda americana se estabilizar", diz o economista.

O economista da Tendências, Thiago Curado, observa que uma parte do aumento dos preços das matérias-primas neste mês se deve a problemas de oferta, mas frisa que esse movimento foi intensificado pela disparada do câmbio.

"A novidade do IGP-M de setembro é que os primeiros impactos do câmbio começaram a aparecer."

Para sustentar essa análise, ele cita a variação dos preços das commodities medida pelo índice Commodity Research Bureau (CRB), excluído o petróleo, em setembro. Em reais, esse indicador já subiu 6,17% até o dia 28. Em dólar, o indicador caiu 2,41% no mesmo período. Nesse jogo de forças, prevaleceu a pressão em reais. Por isso, ele acredita que novas pressões de preços no atacado estão a caminho.

Segundo o analista da Rosenberg, Daniel Lima, só o minério de ferro, que pesa 5% no Índice de Preços por Atacado (IPA), aumentou no período de coleta do IGP-M de setembro 3,36% em reais. É uma alta equivalente à variação do dólar no mesmo período, que foi de 4,8%. Lima explica que, apesar de o reajuste dessa matéria-prima, usada na fabricação do aço, ser trimestral, os preços oscilam em reais, de acordo com a variação do dólar.

"Deve ter mais coisa do minério de ferro pela frente e as commodities poderão exercer uma pressão maior no IGP-M", diz Lima.

Já para Braz, da FGV, o efeito do câmbio nas commodities, especialmente as agrícolas, e no IGP-M deverá ser rebatido por uma oferta maior de produtos e uma descompressão de preços que, segundo ele, já está a caminho.

Como exemplo, ele cita o arroz em casca, as aves abatidas e a carne bovina, cujos preços no atacado estão desacelerando neste mês.

O economista acredita que o IGP-M de outubro deverá repetir o resultado de setembro porque enquanto alguns preços no atacado vão se acelerar outros vão perder fôlego. Com isso, o indicadorem12mesesdeveráfechar o ano em 6,4%, abaixo do teto da meta de inflação (6,5%).

Em 12 meses até setembro, o IGP-M acumula alta de 7,46%.

Em agosto, esse indicador bateu 8% e já foi muito maior em janeiro, quando atingiu 11,5%. A desaceleração ocorre, segundo Braz, porque, a cada mês, estão saindo dessa conta índices mensais na faixa de 1% e entrando resultados bem menores, em torno de 0,50%.

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Safra de GRÃOS

O feijão carioca teve seu preço aumentado em 4,90% em setembro, depois de valorização de 2,93%. "A alta foi influenciada pelo fim da 3ª safra", explicou o economista da FGV André Braz.

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