Com 100% da Solae, DuPont visa acelerar crescimento no mercado de ingredientes

Daniel Wainstein/Valor
Craig Binetti: “O mercado de ingredientes cresce no mundo à média de 4% a 6% ao ano; no Brasil, de 7% a 9%”

Menos de um mês depois do anúncio da compra do capital restante da Solae, empresa de alimentos à base de soja, o presidente global da DuPont Nutrição e Saúde chegou a Barueri (SP), onde está o centro de pesquisas da Solae no país, para conhecer seus colaboradores e anunciar as metas para o futuro. Craig Binetti não fala em números, como é o feitio da DuPont, mas não esconde as expectativas que tem para o setor. "O mercado de ingredientes para a indústria alimentícia cresce no mundo à média de 4% a 6% ao ano. No Brasil, de 7% a 9%. É um grande mercado para nós", disse ele ao Valor, durante breve passagem pelo país.

O negócio fechado em 1º de maio, por US$ 440 milhões, parecia o desfecho natural para a joint venture criada pela DuPont e a Bunge em 2003 – na qual a primeira detinha 72% e a segunda, 28%. Mas veio na esteira de outra grande aquisição – a Danisco, empresa dinamarquesa de enzimas e ingredientes alimentícios, por US$ 5,8 bilhões -, o que mostra as intenções da multinacional química em avançar no mercado de alimentos e saúde. As aquisições permitiram à DuPont ingressar em um novo segmento da indústria, o dos aditivos alimentícios, e alinhar o seu posicionamento e busca de soluções aos desafios globais, como a oferta de alimentos. "Estamos muito comprometidos [em crescer nesse setor]", afirma o executivo.

Segundo Binetti, a compra do capital restante da Solae será importante para dar a "velocidade" que a DuPont quer ao negócio. Inovação é a chave para bater a concorrência, e 60% dos US$ 2 bilhões destinados anualmente à Pesquisa & Desenvolvimento vão para a indústria de alimentos, que inclui a DuPont Nutrição e Saúde e a Crop Protection.

Do Brasil, a primeira promessa da unidade de negócios vem com o desenvolvimento de um creme de leite com 17% de gordura – redução de 25% sobre o creme de leite mais magro disponível do mercado. "Conseguimos isso sem alterar as características do produto", diz Binetti, sem declarar o nome do cliente por questão de confidencialidade. "A tecnologia já está internamente comunicada para ser replicada [em outros países de operação da DuPont]".

Com vendas globais de US$ 2,5 bilhões em 2011 e crescendo até 8% ao ano, a DuPont Nutrição e Saúde não descarta novas aquisições. "A gente está sempre olhando oportunidades porque essa é uma área de foco da empresa. Mas no momento, estamos digerindo essas duas incorporações", afirmou Zacarias Karacristo, presidente da unidade no Brasil.

Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo

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