Colheitadeira inteligente realiza leitura do plantio

Divulgação / Divulgação
Andreas Klauser, CEO da Case IH: mesmo na Europa, as vendas de máquinas continuam com boas perspectivas

A combinação de diferentes tecnologias é estratégia eficaz para ampliar a produtividade nas lavouras. Além de sementes e variedades de plantas mais produtivas, os agricultores buscam rendimento e inteligência nas máquinas. Embarcadas com dispositivos eletrônicos, os modelos disponíveis comunicam-se com softwares de gestão do plantio e sistema de posicionamento global (GPS). A eletrônica permite a automação da lavoura e transforma tratores, colheitadeiras e plantadeiras em pontos de coleta de informações sobre o solo. "Com os dados, é possível mapear o terreno e determinar que tipo (e quantidade) de adubo deve ser aplicado na hora do plantio, melhorando o desempenho do processo", destaca Carlito Eckert, diretor nacional de vendas da Massey Ferguson, marca do grupo AGCO.

O conjunto de funções permite monitorar por software a produtividade das máquinas, a localização da frota e agrupar funções de agricultura de precisão. Entre as apostas da Massey Ferguson estão o tráfego controlado para grãos e um sistema de monitoramento a distância. A primeira solução amplia em até 15% a quantidade de hectares trabalhados por hora pelos equipamentos, trazendo economia de combustível e mais eficiência. Já a telemetria, aplicada na segunda solução, traz controle a distância em tempo real de toda a produção. "A tendência é que a frota seja menor, mais potente e produtiva", destaca Eckert.

Apesar de as tecnologias de agricultura de precisão serem desenvolvidas há 12 anos, o executivo afirma que só agora a demanda pelas funções aumentou. Atualmente 25% das unidades vendidas pela companhia no Brasil saem com os recursos de fábrica.

Para Andreas Klauser, CEO mundial da Case IH, o novo ambiente para o agronegócio é responsável pela busca de inovações e combinação entre tecnologia e plantio. Para ele, o segmento é o menos afetado pela crise econômica mundial e, mesmo na Europa, as vendas de máquinas continuam com boas perspectivas. No Brasil, o mercado é cada vez mais importante. O que mudou, e muito, é a forma de plantar, uma vez que a medição da produtividade deixou de ser por hectare e passou a ser por metro quadrado.

"A população mundial está crescendo, temos cada vez menos espaço para produzir e a solução está em lavouras sofisticadas e com ótimo desempenho", destaca. Apesar de aplicar tecnologia nas máquinas, ele afirma que é necessário oferecer equipamentos simples e fáceis de ser operados. "A mão de obra é escassa. Quanto mais inteligência e possibilidade de criar parâmetros nos produtos, melhor. Temos de unir simplicidade, confiabilidade e tecnologia."

Entre os exemplos, ele cita as colheitadeiras de cana vendidas no Brasil. Com custo superior a R$ 850 mil, estes equipamentos estão preparados para atender à demanda por mecanização e são equipados com computador de bordo, cabine ergonômica e motores projetados para ampliar a capacidade de colheita – mesmo em regiões com ótimos índices.

De olho na agricultura do futuro, a Valtra apresentou no Brasil o seu conceito ANTS – tratores, pensados para 2080, que permitem a acoplagem de diversos implementos e são capazes de reduzir o tempo de operação, melhorar o desempenho e ampliar a capacidade produtiva da lavoura. O protótipo mostra uma máquina ergonômica, com piloto automático, tela sensível ao toque e operação por comando de voz.

"O diferencial é que esse trator se transforma em uma sala de controle capaz de operar diversos módulos em uma mesma área", explica Winston Quintas, supervisor de marketing da Valtra. Apesar de a junção de todas as tecnologias do ANTS estar prevista para 2080, a Valtra está implementando, aos poucos, os recursos em sua linha de tratores e máquinas agrícolas.

A capacidade de ajuste automático também é recurso atraente. Werner Santos, diretor da John Deere, explica que é possível determinar o nível de perda aceitável na colheita antes de a máquina iniciar o trabalho no campo. Diante desse parâmetro, as colheitadeiras se ajustam a condições como umidade do solo, diferenças do terreno e variações de temperatura. "De acordo com mudanças que ocorrem durante o dia, a máquina ajusta sua operação, trabalhando com maior eficiência." A tecnologia reduz a pressão sobre a tomada de decisões por parte do operador e é capaz de ampliar a produtividade. "Só a utilização da função de piloto automático tem contribuído para aumentar entre 5% e 8% o volume da colheita. A redução de perdas se traduz em lucro."

A utilização de energia limpa também é uma evolução que chega às máquinas. Eckert, da Massey Ferguson, explica que a indústria busca motores eficientes do ponto de vista energético e movidos, é claro, a biocombustíveis. "A nova geração de agricultores busca desempenho e sustentabilidade."

Fonte: Valor | Por Ediane Tiago | Para o Valor, de Ribeirão Preto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *