Colheita de laranja se recupera na Flórida, mas crise do suco persiste

Os pomares da Flórida estão se recuperando, mas essa tendência não deverá salvar o problemático mercado de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) no Estado americano que reúne o segundo maior parque citrícola do mundo, menor apenas que o de São Paulo.

Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a Flórida deverá colher 79 milhões de caixas de 40,8 quilos nesta temporada 2018/19, 76% mais que no ciclo anterior. Uma boa notícia para produtores que há anos têm as colheitas prejudicadas pela doença conhecida como greening, mas não para o preço do suco de laranja.

Nos EUA, é na Flórida que as indústrias de suco (as brasileiras Citrosuco e Cutrale mantêm fábricas no Estado) se abastecem de matéria-prima – da Califórnia, onde a produção também é expressiva, são cultivadas laranjas de mesa, sobretudo. A oferta mais elevada de um produto que sofre com a queda da demanda já fez com que os contratos futuros do suco recuassem 13,5% na bolsa de Nova York desde agosto.

No ano passado, além do greening, os citricultores enfrentaram os problemas causados pelo furacão Irma, que derrubou de vez a oferta na Flórida. A fruta sumiu e os preços do suco subiram, o que levou fabricantes a reduzirem o tamanho das embalagens da bebida vendida no mercado local, e essa estratégia também desestimulou o consumo interno.

"Tem sido um ano muito difícil para os produtores, sem dúvida. Pelo menos é bom ouvir que a produção desta temporada deverá ser elevada", afirmou Michael W. Sparks, presidente-executivo da Florida Citrus Mutual, entidade que representa a indústria de processamento do Estado. "Os produtores continuam a mostrar resiliência e um compromisso de replantar e recuperar o setor".

As vendas, no entanto, continuam ruins. No período de quatro semanas encerrado em 29 de setembro, o volume de galões de suco de laranja vendidos caiu 6,4% em relação ao mesmo período do ano passado, e os preços subiram 2,2% no varejo. Em toda a temporada passada, que terminou em setembro, as vendas diminuíram 4,9%, em linha com um comportamento que já vinha marcando os ciclos anteriores.

O aumento dos preços do suco de laranja nos supermercados pode ajudar a deprimir as cotações dos contratos futuros negociados em Nova York, porque o encarecimento nas gôndolas normalmente reduz a demanda do consumidor pelos produtos vinculados a esses contratos.

A Flórida também sofre com a concorrência brasileira, que solidificou seu domínio no mercado de suco de laranja nos últimos anos. Dada a oferta muito superior do Brasil, fabricantes instaladas no Estado americano ampliaram as importações de suco do país para misturá-lo ao seu próprio – uma tendência que também beneficia o México e que deverá perdurar, segundo analistas.

Por Dow Jones Newswires

Fonte : Valor