Colheita de grãos deve cair 3,9%

Por Fernanda Pressinott, Luiz Henrique Mendes, Bettina Barros e Bruno Villas Bôas | De São Paulo e Rio

As condições climáticas desfavoráveis nas regiões produtoras de milho safrinha do país levaram a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a reduzir ligeiramente a estimativa para a produção brasileira de grãos e fibras na safra 2017/18. Pela nova projeção, divulgada ontem, a produção deve somar 228,52 milhões de toneladas, 3,9% abaixo do recorde de 2016/17, e 0,5% inferior à estimativa de junho.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também revisou a estimativa para a colheita de grãos na safra que está sendo finalizada. O número do IBGE é um pouco menor que o da Conab. Segundo o instituto, a produção de grãos deve somar 227,9 milhões de toneladas, 0,1% inferior à projeção anterior e 5,3% menor que no ciclo 2016/17.

A Conab cortou a previsão para a safrinha de milho no ciclo 2017/18 em 3,8% na comparação com a estimativa anterior, para 56,02 milhões de toneladas. Em relação ao ciclo passado, quando foram colhidas 67,4 milhões de toneladas de milho safrinha, o volume é 16,9% menor. Segundo a Conab, a redução reflete a falta de chuvas nas regiões produtoras e o plantio fora da período ideal.

Além disso, diz a Conab, os preços mais baixos do milho prejudicaram o "pacote tecnológico" utilizado nesta safrinha de milho, também com reflexos na produtividade, que caiu 13,3% ante 2016/17, para 4,8 mil quilos por hectare.

Considerando também o milho semeado no verão – cuja colheita já foi concluída -, o Brasil deve produzir no total 82,9 milhões de toneladas na safra 2017/18, uma queda de 15,2% ante as 97,8 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2016/17, segundo a Conab.

Para Guilherme Bellotti, analista sênior de agronegócio do Itaú BBA, a estimativa da Conab para a safrinha ainda é uma das mais otimistas do mercado e pode ser revisada para baixo novamente. Segundo ele, o impacto maior será observado na produção de Mato Grosso do Sul e Paraná, e também deve haver uma queda de produtividade em Mato Grosso que será vista na fase final da colheita.

No levantamento de ontem, a Conab elevou a projeção para a produção de soja – carro-chefe do agronegócio na exportação – que deve atingir o recorde de 118,89 milhões de toneladas na safra 2017/18. O número é 0,7% maior que o estimado em junho e 4,2% superior ao da safra passada. Além do aumento na área plantada no país entre os dois ciclos – de 33,9 milhões para 35,1 milhões de hectares na safra atual, houve ganhos de produtividade na cultura. Segundo a Conab, o rendimento médio atingiu o recorde de 3.382 quilos por hectare. No ciclo passado, havia sido de 3.364 quilos.

"A produtividade desta safra é resultado da aplicação de um bom pacote tecnológico, aliado a precipitações e temperaturas favoráveis, apesar de alguns problemas no Sul do país", diz a Conab.

A estatal também elevou a estimativa de produção de algodão em pluma no país, para 1,964 milhão de toneladas – a previsão anterior era de 1,959 milhão de toneladas. O volume estimado é 28,5% maior que o de 2016/17. Conforme a Conab, o resultado se deve ao aumento de 25,2% na área – em função da melhora dos preços -, e ao ganho de produtividade de 2,6%.

Outro produto que teve a estimativa de colheita elevada foi o trigo. Segundo a estatal, o Brasil deve produzir 4,9 milhões de toneladas na safra 2017/18 – a projeção anterior era de 4,8 milhões de toneladas. Em relação à safra 2016/17, o avanço é de 15%.

O aumento previsto é fruto do incremento previsto na área de trigo, que deve alcançar 2 milhões de hectares (alta de 4,9% ante o ciclo anterior). Já a produtividade deve crescer 9,6%, para 2,4 mil quilos por hectare na atual safra, segundo a Conab.

O IBGE divulgou ainda que a colheita de café na safra 2018/19 deve atingir o recorde de 57,3 milhões de sacas, 0,4% superior ao estimado em junho. A Conab estima produção de 58 milhões de sacas. (Colaborou Kauanna Navarro, de São Paulo)

Fonte : Valor