Colheita de café no Brasil pode atingir até 52 milhões de sacas, estima Conab

Como já indicavam projeções recentes de outros órgãos, a Conab informou ontem em sua primeira estimativa para a safra 2016/17 de café que a produção deverá ficar entre 49,13 milhões e 51,94 milhões de sacas. O intervalo estimado significa um acréscimo de 13,6% a 20,1% em relação à produção de 43,24 milhões de sacas da safra 2015/16.

Se confirmada, essa pode ser a segunda maior safra da história, informou a Conab em nota, ficando atrás apenas da safra de 2012, que alcançou 50,8 milhões de sacas. Durante entrevista para comentar o levantamento, o diretor de Política Agrícola e Informações da autarquia, João Marcelo Intini, afirmou que a recuperação de áreas redirecionadas ao plantio de café somada a boas práticas de manejo agrícola, clima favorável e bons preços indicam, até agora, que a colheita no novo ciclo pode ser recorde, se a estimativa de 51,94 milhões de sacas se confirmar.

O Conselho Nacional do Café (CNC) projetou na semana passada que a produção deve alcançar de 47 milhões a 50 milhões de sacas. Já o IBGE havia estimado uma colheita de 49,740 milhões de sacas.

Segundo a Conab, a produção do grão arábica deverá crescer 17,8% a 24,4% neste ciclo na comparação com a safra anterior. A colheita está estimada entre 37,74 milhões e 39,87 milhões de sacas. O resultado, segundo a Conab, deve-se principalmente ao aumento de 67,6 mil hectares de áreas em produção, à incorporação de novas áreas que se encontravam em formação e renovação e às condições climáticas mais favoráveis.

Já a produção do conilon deve ficar entre 11,39 milhões e 12,08 milhões de sacas, uma alta de 1,8% a 8% em relação à safra anterior. A Conab apontou a recuperação da produtividade no Espírito Santo, Bahia e em Rondônia e o maior uso de tecnologias para explicar a projeção. Mas a autarquia observou, em relatório, que houve restrições ao desenvolvimento da safra no norte do Espírito Santo, maior produtor de conilon do país, principamente, devido às chuvas abaixo da média e às temperaturas elevadas. Mas essa restrição pode ter sido amenizada em função da irrigação de parte das lavouras.

A Conab destacou ainda que a produtividade na safra 2016/17 deve ficar entre 24,84 e 26,27 sacas por hectare, alta entre 10,4% a 16,8%, em relação à safra passada. De acordo com a pesquisa, com exceção de Paraná, Rondônia e região da Zona da Mata mineira, todos os demais Estados produtores de café tiveram aumento de produtividade, favorecidos pelas condições climáticas e pelo ciclo de bienalidade positiva da cultura.

Intini, da Conab, ponderou que as estimativas divulgadas ontem devem ser melhor consolidadas no próximo levantamento da safra de café, que deve sair em junho, quando o índice de colheita do grão deve estar próximo de 50%.

Para o ministro interino da Agricultura, André Nassar, os estoques baixos de café e o cenário climático positivo prometem um bom ano para os cafeicultores brasileiros. "Com mercado enxuto e expectativa de boa safra, a tendência é não ter grandes impactos de preços, então o produtor acaba ganhando porque produz bem num cenário de preços já conhecido", avaliou.

Ele disse ainda que com a safra projetada, a expectativa é de aumento de receita para as exportações do grão, diferentemente do ano passado quando só o volume exportado cresceu.

Thiago Ferreira, analista da FCStone, afirmou que o relatório da Conab foi "um do mais coerentes que temos para safra 2016/17". Ele destacou a previsão para a colheita de conilon e disse que a Conab foi "bastante realista" ao reconhecer que o Espírito Santo, afetado pela seca, teve capacidade de produção muito afetada. Além disso, Ferreira citou a falta de chuvas nas matas de Minas e sul da Bahia. (Colaborou Camila Souza Ramos, de São Paulo)

Por Bettina Barros e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília
Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *