Colapso do petróleo e do mercado de ações derruba preços em NY

Os contratos futuros das commodities agrícolas negociadas na bolsa de Nova York – conhecidas como "soft" commodities – foram atingidas em cheio ontem pelo colapso dos preços do petróleo e das bolsas em diversos cantos do mundo.

O movimento foi desencadeado por receios não apenas com a economia da China, que já vem derrubando os mercados desde o início do ano, mas com o desempenho da economia em todo o planeta. Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou uma projeção de crescimento global de 3,4% para este ano, menos que o estimado anteriormente. Uma desaceleração mundial pode afetar o consumo de diversas commodities.

O primeiro reflexo ocorreu no mercado do petróleo. "Quando o petróleo, que é o carro-chefe das cestas [de investimentos] de commodities, cai, provoca uma queda dos preços das agrícolas", explicou Tiago Ferreira, analista de café da consultoria FCStone.

O cacau registrou as perdas mais expressivas. Os contratos de maior liquidez, que vencem em março, caíram 4,23% (US$ 124) e fecharam a US$ 2.810 a tonelada, o menor valor desde 23 de abril de 2015. O mercado da amêndoa vem revertendo boa parte dos ganhos de 2015. Com o recuo de ontem, a commodity acumulou desde o início do ano queda de 12,5%.

As cotações do suco de laranja também amargaram forte desvalorização. Os papéis do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para março fecharam a US$ 1,2005 por libra-peso, um recuo de 4% (US$ 0,05). Foi a nona queda consecutiva, período em que os preços caíram 17,6%.

A liquidação em massa de ativos se repetiu no mercado de açúcar, cujos contratos mais negociados, para entrega em março, fecharam com variação negativa de 3,86% (57 pontos), a 14,18 centavos de dólar a libra-peso.

No mercado do café arábica, os papéis mais negociados, para março, caíram 3,5% (405 pontos), para US$ 1,116 a libra-peso na bolsa. A previsão da Conab de que a safra 2016/17 no Brasil pode atingir 52 milhões de sacas reforçou o cenário baixista.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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