COLABORADOR | Similitude por Carlos AdÍlio Maia do Nascimento

Dentre os presentes de Natal veio um pequeno livro escrito em 64 a.C. que ensina como ganhar uma eleição. O autor, Quinto Tulio Cicero, general e político romano, irmão de Marco Tulio Cicero, este tido como um dos maiores oradores daquela época e que iria disputar eleição para cônsul, o cargo mais importante no cenário político de Roma. O candidato, embora não pertencente à aristocracia de onde saíam os dirigentes dos destinos da República, possuía grande cultura e impressionava por suas avançadas ideias e competência como tribuno do povo. Por sua brilhante carreira como advogado, gozava de alta reputação na sociedade.

Apesar da ilibada conduta no exercício de outros cargos e da grande facilidade para falar em público, a campanha eleitoral, como tudo parecia indicar, não seria nada fácil para o candidato. Quinto, no afã de ajudar o irmão, organizou um memorando de conselhos que o ajudariam a ser eleito. Segundo ele, são três as coisas que podem garantir votos em uma eleição: favores, despertar esperança nos eleitores e explorar a simpatia pessoal do candidato. Identificar as pessoas que realmente têm influência nas comunidades e fazê-las seus agentes eleitorais. O candidato deve ser um camaleão, adaptando-se a cada indivíduo que encontre, e deve mudar sua expressão e seu discurso quando necessário. Fazer promessas de todo tipo. As pessoas preferem uma mentira conveniente a uma recusa direta. Prometa qualquer coisa a qualquer um, a menos que uma clara obrigação ética o impeça de fazê-lo. A campanha deve ser competente, digna, mas cheia de vida e de espetáculos, o que tanto agrada às massas. A política não é perfeita: poder e corrupção andam sempre de braços dados, e todos os setores do Senado precisam ser conquistados. O exercício político é cheio de engodo, trapaça e traição. Não confie muito facilmente nas pessoas. É preciso aprender a arte da bajulação, prática detestável na vida normal, mas essencial quando se disputa um cargo público. Marco Tulio Cicero foi eleito!

Segundo o apresentador do livro, Rubens Barbosa, da Fiesp, os conselhos nele contidos podem surpreender pelo cinismo, mas mostram que os costumes e as práticas políticas não se modificaram substancialmente desde esses remotos tempos romanos. Com o que concordamos plenamente!

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo | COLABORADOR | Similitude por Carlos AdÍlio Maia do Nascimento

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