COLABORADOR | Santa Vitória | Carlos Adílio Maia do Nascimento

Há quase meio século lá chegamos para plantar arroz. A BR 471 ainda em construção. O asfalto terminava na vila do Taim e, a partir dali, após enfrentar o famigerado dique da Capilha, entrávamos na então chamada ‘estrada do inferno’ que, frequentemente, tornava-se intransitável. Eram 200 quilômetros sem paradouros nem postos de combustíveis. Algumas vezes, surpreendidos por chuvaradas, tentávamos voltar, quando possível, ou pernoitávamos na estrada esperando o raiar de um novo dia, torcendo por melhora do tempo. Bolachas e salame da venda Anselmi no Curral Alto, muitas vezes, acalmaram nossa fome que não se achicava com as intempéries. Eram sacrifícios que a mocidade nos fazia sentir como aventura e mesmo como prazer.

O município não estava ligado à rede elétrica nacional que dobrava na Quinta em direção ao Rio Grande. A pouca energia disponível era gerada por usina térmica na cidade, onde motores obsoletos, remanescentes da Segunda Guerra Mundial, movidos a fuel oil, abasteciam precariamente a demanda urbana e de pequena parte da zona rural. Éramos um ‘buraco negro’ no sistema energético brasileiro. Somente no governo Antônio Britto tivemos a tão desejada construção da rede elétrica de alta-tensão.

Ratificando a assertiva de que o movimento histórico é pendular, vimos assistindo com entusiasmo, nos tempos atuais, a uma metamorfose nos velhos Campos Neutrais. Ao ser entendida a importância dos ventos, pesados investimentos vêm sendo feitos em parques eólicos que em breve transformarão a região em grande polo energético limpo e renovável.

De fato, cambou o pano em direção ao progresso e à sustentabilidade. Fala-se em recuperação do porto e em navegação na Lagoa Mirim, resgatando o que era feito no passado. Uma revolução na agricultura se inicia com a adoção de culturas múltiplas, rodízios de gramíneas com leguminosas e o melhor aproveitamento do sistema de irrigação implantado pela orizicultura que domina centenas de milhares de hectares. Surge nova pecuária com genética avançada e manejo em pastagens enriquecidas.

E como as evoluções são sempre globais e holísticas, ocorrerá na próxima Exposição – Feira de Santa Vitória, a realizar-se de 29/10 a 2/11, um fato até então inusitado em nosso meio rural. Traduzindo evolução proativa da mentalidade dos vitorienses, serão oferecidos produtos a preços livres da carga tributária incidente sobre eles. Esses impostos aumentam em muito o custo de produção e consequentemente o valor pago pelos consumidores.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo | COLABORADOR | Santa Vitória | Carlos Adílio Maia do Nascimento

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