COLABORADOR | Pandemia | Carlos Adílio Maia do Nascimento

Em medicina é doença epidêmica que se difunde amplamente por uma região, um continente ou por todo o planeta. Na Idade Média, a Peste Negra dizimou metade da população da Europa. No início do século XX, a Gripe Espanhola ceifou milhares de vidas entre as populações. Ambas causadas por agentes microbianos que hoje seriam controlados pelo arsenal de antibióticos com que contamos. Na atualidade, vivemos uma enorme pandemia que grassa por toda a humanidade, atingindo todas as culturas, as classes sociais, alienando pessoas, destruindo famílias e corrompendo sociedades. Trata-se da droga e da dependência química por ela causada. Do álcool ao crack o caminho é o mesmo e os estragos agora não são causados por micróbios, mas sim por algo mais complexo e difícil de remediar. São os desajustes psicossociais que se agravam no momento atual, resultantes de um modelo civilizacional adverso à natureza humana e ao equilíbrio natural. A droga acompanha a humanidade desde priscas eras, porém não com as características pandêmicas que apresenta no presente.

Nos EUA, o National Institute on Drug Abuse (Nida) gasta anualmente 2 bilhões de dólares em pesquisa e educação de drogados. O psiquiatra gaúcho Rogério Alves da Paz foi selecionado em 2009 para um fellowship patrocinado pelo Departamento de Estado Norte-Americano em convênio com o Nida. Com duração de um ano e meio, aconteceu em importantes universidades, como Harvard, Johns Hopkins, Virginia Commonwealth University e University of New Mexico. Estagiou na Unidade de Tratamento de Dependência Química do McLean Hospital, em Massachusetts. Estudou com ilustres professores envolvidos na busca de soluções para este terrível mal. De volta a Porto Alegre, recomeçou a trabalhar com a Comunidade Terapêutica urbana para crianças, adolescentes e adultos Casa Marta e Maria, da Congregação Católica Copiosa Redenção, onde já trabalhava voluntariamente desde 1998 atendendo pacientes do sexo feminino com idades entre 12 e 30 anos.

Tem visto recém-nascidos com crise de abstinência decorrente da adição de suas mães. Atendeu centenas de meninas em alto grau de vulnerabilidade social e dependência química. Está elaborando protocolo que transforma a Comunidade Terapêutica de Porto Alegre na primeira comunidade brasileira baseada em evidências, em parceria com duas universidades americanas. Pensa que, para haver uma real transformação das drogas no Brasil, é necessário que haja uma coalizão de forças envolvendo vários setores da sociedade, orientada por metodologia científica voltada para a prevenção, a educação, a pesquisa, o tratamento e as novas políticas concernentes ao problema. É fundamental que a sociedade gaúcha aporte os pequenos recursos necessários à execução desses projetos tão importantes para todos.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo

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