COLABORADOR | O Brasil não precisa de usinas atômicas

Recente publicação na imprensa de Porto Alegre nos dá conta de que o governo pretende dar continuidade ao programa de instalação de usinas atômicas para a produção de energia elétrica, iniciado durante os governos militares, com a construção de Angra I e II e atualmente construindo Angra III, o que já é um disparate. No momento em que vários países, alertados pelo recente desastre de Fukushima, decidem proibir a instalação de novas usinas, o Brasil resolve incrementar a sua instalação.

Se países que são pobres em outras fontes geradoras agem assim, por que o Brasil, a quem a natureza serviu de todas as formas conhecidas, inclusive não poluentes, permitindo o uso da energia solar, da eólica, da biomassa, da hidrelétrica e mesmo do carvão, do gás, do óleo, teima em contrariar todas as evidências e insiste em semear entre nós as sementes da destruição?

Dizem alguns que é preciso prevenir um possível apagão. Ora, é mais do que sabido que as quatro últimas fontes citadas podem ser complementadas com energia eólica, mas esta é olhada como intermitente, pois o vento não sopra sempre e não há como acumulá-lo, como também o sol.

Nada mais falso, pois o nosso sistema elétrico é integrado nacionalmente e, se não estiver ventando aqui, estará ventando ao mesmo tempo em inúmeros lugares deste país continente, permitindo que, se em algum tempo as hidrelétricas não puderem mais ser expandidas, ainda possamos ter uma terça parte de nosso imenso território para espalhar torres de geração eólica.

Desmoralizado o tabu de que o sistema é caro, como ele não precisa agredir a natureza nem impedir as atividades produtivas na terra ocupada, o uso da força dos ventos se constitui no meio lógico de produção de energia elétrica. De acordo com as informações disponíveis, as novas usinas atômicas, em número de quatro, seriam instaladas uma em cada região do país, com custo de R$ 16 bilhões e gerando apenas 1 mil megawatts cada uma.

Informa-se que uma virá para a nossa região, e certamente escolherão ou a vastidão do nosso litoral oceânico ou o nosso Pampa despovoado para num deles instalar a usina da morte e o depósito de lixo atômico, espalhando radiatividade por 300 anos. Chega de desrespeito à natureza e ao homem desta terra: o Brasil não precisa disso. Não permitamos a destruição da vida que existe entre nós.

empresário

Fonte: Correio do Povo | Irajá Andara Rodrigues

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