COLABORADOR | Modelo vencido | Carlos Adílio Maia do Nascimento

O momento de crise que vive o mundo está a se agravar. Parece ser diretamente proporcional ao volume das economias. Processo sistêmico, que evolui há vários anos e que se agigantou com a globalização. O capitalismo ortodoxo e desenfreado gerou a concentração de renda que se agravou nas economias globalizadas. Ribeiros correm aos rios, e os rios correm ao mar. Essa assertiva comanda o rumo do capital e dos lucros decorrentes de sua aplicação. O capital não tem pátria e sequer dono. Flui por meio das empresas, dos bancos e é administrado por grandes corporações visando fundamentalmente ao lucro, muitas vezes, em detrimento do social e da ética. Esse processo é alimentado pelo consumo generalizado, que se tornou compulsório para a maioria das pessoas e dos países. O homem é bípede, olha para o alto e seu referencial é quem está acima.

Nessa postura, abandonou a riqueza verdadeira, que consiste em estar satisfeito com o que possui. Tornou-se escravo do marketing, que lhe impõe constantemente bens com obsolescência programada que o tentam e o fazem sofrer com sua família em não os possuir. A célula básica de uma sociedade e de um país é a família e seu comportamento estabelece os padrões para o coletivo. O consumismo apoderou-se das pessoas, fazendo-as sentirem-se importantes pela quantidade de objetos que possuem. A posse sobrepõe-se à utilidade. A prodigalidade evolui para o perdularismo que redunda no inadimplemento. As pessoas moldam as sociedades que se encontram em crise evolutiva. Nações tradicionalmente bem estruturadas, como as europeias, veem suas economias agonizarem. O grande irmão do Norte vê sua dívida agigantar-se. É a Nova Roma declinando por não conseguir mais alimentar suas legiões. Nossa rica irmã vizinha está a um passo do default, o velho calote adotado por quem ultrapassa sua capacidade de pagamento.

A desordem econômica gera a instabilidade social. O mundo está convulsionado. Existe estado de guerra em vários pontos do planeta. Insegurança e violência têm sido a tônica generalizada. Os países não escondem mais suas dificuldades, e o clima é de depressão. Mas é na depressão que o homem elabora e, certamente, terá luzes para enunciar e adotar um novo modelo de desenvolvimento.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo

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