COLABORADOR | Medicina

Asclépio em grego ou Esculápio em romano era filho de Apolo com a ninfa Coronis. A ninfa traiu Apolo, o esplendoroso, e por isso foi morta. O menino foi entregue aos cuidados do centauro Quirão, que conhecia a arte da cura, transmitindo-a ao pupilo. Inteligente e aplicado, Asclépio tornou-se médico famoso e construiu em Epidauro o primeiro hospital de que se tem notícia na antiguidade. Dessa obra tem-se testemunhos notáveis como um anfiteatro para lazer dos pacientes, que apresenta até os dias atuais uma acústica perfeita. Formou-se ali uma escola médica que reunia os vocacionais, então chamados asclepíades. Dentre eles, Hipócrates salientou-se e até hoje é considerado o Pai da Medicina, sendo seu juramento professado pelos médicos ao serem diplomados. A medicina hipocrática, baseada na semiologia e na relação médico-paciente, posteriormente enriquecida por grandes médicos na Idade Média, como Avicena e Maimonides, continua sendo na atualidade o farol que norteia a ciência da higidez dos seres humanos.

Estamos envolvidos com a medicina há 58 anos. Primeiro como aluno, depois como médico e, nos últimos tempos, mais como paciente. Recentemente passamos por intervenção cirúrgica que nos fez novamente avaliar e valorizar a importância da profissão médica. Como pacientes temos a clara visão de nossa vulnerabilidade e de quão temporária é nossa existência. A figura do médico representa porto seguro que nos abriga e conduz em hora difícil. Sua atenção e carinho são insubstituíveis como lenitivo na luta pela saúde. Sua presença anima e fortifica.

A saúde no Brasil está em crise. Não os médicos, pois os temos de muito boa qualidade. Contamos com recursos diagnósticos e terapêuticos de excelência. Carecemos sim de política de planejamento e prioridade para essa benesse que inquestionavelmente representa o fator mais importante na qualidade de vida. Sem saúde não temos nada. É chegada a hora de valorizar médicos e profissionais da saúde com planos de carreira e remuneração justa. Incentivos de interiorização, melhoria da rede hospitalar e investimento em ambulatórios com amplo poder de resolução. É fundamental aumentar o tempo de contato entre médico e paciente e o exame com detenção como já preconizava Hipócrates. Isso posto, certamente não será necessário importar médicos de nenhuma procedência.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo | Carlos Adílio Maia do Nascimento

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