COLABORADOR | Mais medicina | Carlos Adílio Maia do Nascimento

No último artigo falamos sobre esta atividade, sem dúvida, a mais importante para a qualidade de vida das pessoas. Alguns amigos pediram que falássemos um pouco mais sobre nossa experiência de mais de meio século, de alguma maneira, envolvidos com a ciência da saúde. Atendemos com satisfação, preocupados com os números divulgados esta semana sobre a rede hospitalar pública de São Paulo. Naquele estado, o mais rico da Federação, a maioria dos hospitais está com falta de materiais indispensáveis ao bom atendimento, desde medicamentos até os insumos necessários aos procedimentos diagnósticos. Esses cada vez mais sofisticados e de custo mais elevado. Sem falar na carência de leitos, permanecendo muitos pacientes em macas e mesmo sobre colchões no piso do corredor. Os administradores alegam o aumento incontrolável da chegada de pacientes do interior do Estado, bem como a insuficiência de recursos para atender adequadamente a essa demanda. Diga-se de passagem que a Organização Mundial de Saúde informou recentemente que o Brasil gastou em saúde 466 dólares per capita na última década, enquanto a Argentina gastou 869 dólares; o Chile, 607; os Estados Unidos, 3,7 mil; a Holanda, 4,8 mil; e a Noruega, 6,8 mil. Temos 17 médicos para cada 10 mil habitantes, o que fica acima da média mundial que é de 14.

Agora um pouco de história. No final dos anos 1970, nosso país teve avanço significativo na área de saúde. Até então, a assistência médica era prestada somente aos segurados dos Institutos de Aposentadorias e Pensões e, posteriormente, assumida pelo Inamps. Sempre com recursos do Sistema Previdenciário que, no Brasil, é do tipo seguro social, e não serviço público como em alguns países. Como tal, é custeado pelo Fundo Previdenciário, formado, por sua vez, pela contribuição compulsória de empregados, patrões e alguma coisa do governo que, de forma autocrática, geria sozinha esses recursos, muitas vezes usando-os indevidamente para outras finalidades como em obras de infraestrutura. Lembramos que a Previdência existe para assegurar ao contribuinte aposentadoria, pensão, auxílio-doença e outros benefícios previdenciários. Nada a ver com assistência médica. A população não vinculada à Previdência era dita indigente e atendida nos hospitais filantrópicos. O governo, e este foi o avanço, universalizou a assistência médica a todos os brasileiros. A Previdência, já em crise, não suportaria esse aumento de despesa. Criou-se então o Conselho Consultivo da Saúde Previdenciária – Conasp, do qual fizemos parte e que deveria propor uma solução. Sua proposta foi o embrião do SUS – Sistema Único de Saúde, hoje mergulhado na situação caótica a que estamos assistindo. Sobre o plano do Conasp falaremos no próximo artigo.

Carlos Adílio Maia do Nascimento | presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo

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