COLABORADOR | Conclusões legítimas | Carlos AdÍlio Maia do Nascimento

Embora tenha ocorrido há duas semanas, julgamos importante salientar a procedência do XVI Agrimark-Br – Seminário Brasileiro do Agronegócio. Realizado pelo Instituto de Educação no Agronegócio – Iuma, com a participação da Brasilagro, reuniu em Porto Alegre quatro ex-ministros da Agricultura que emitiram suas opiniões sobre nosso agro e debateram com lideranças e técnicos representativos de nosso estado. De modo geral, as opiniões dos expositores coincidiram sobre a problemática da agropecuária brasileira. Luiz Fernando Cirne Lima, o louvável criador da Empraba, fez a primeira locução, mostrando a excelência de nossos agricultores que, em 50 anos, quadruplicaram a produção de grãos com apenas 30% de aumento de área agricultada. Inquestionavelmente, os produtores cumpriram sua missão. Marcus Vinicius Pratini de Moraes, com sua experiência eclética, mostrou a necessidade de marketing de nossos produtos. É necessário nos darmos conta de que consumimos água mineral francesa e italiana, tendo-a em abundância e em condições de excelência. Francisco Turra, hoje capitaneando as exportações de frangos e suínos, ambas com performance admirável, ratificou a necessidade de agregar valor a nossos produtos. Salientou que exportar commodities é criar emprego e riqueza para os outros. Roberto Rodrigues, este gladiador de nossa produção primária, com sua vasta experiência acadêmica e em cooperativismo, hoje coordenando o Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, afirmou da necessidade de elaboração de políticas de produção, consolidação do seguro agrícola e garantia de renda para o agricultor. Nesse sentido, constituiu grupo técnico na FGV que, nos próximos dias, conclui documento que contempla uma estratégia de governo para o setor que será apresentado aos candidatos às próximas eleições.

Houve unanimidade no reconhecimento da falta de infraestrutura em nosso país-continente, o que vem prejudicando em muito a competitividade de nossos produtos. Nos anos 70 do século passado, vivemos no Brasil um momento de milagre, mais um dos vários que têm caracterizado nossa história. O país crescia 10% ao ano e a Ceplan, órgão plenipotenciário exercido pelo então ministro Delfin Neto, alertava que não devíamos crescer tanto, faltava infraestrutura para sustentar esse crescimento. Houve uma década perdida por conjunturas políticas comuns a uma democracia nascente. Após voltamos a crescer em índices menores, sempre com âncora no agronegócio e na mineração. Nosso crescimento não foi desenvolvimento. Carentes de infraestrutura básica, educação, saúde, transportes, vemos nos dias atuais nossos produtos perderem competitividade. Julgamos pertinente que a sociedade brasileira tenha maturidade para assumir doravante a tarefa imprescindível de realizar nossos imensos potenciais em um legítimo modelo de desenvolvimento sustentado.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *