COLABORADOR | Carpe diem |Carlos Adílio Maia do Nascimento

A necessidade de convivência faz do homem um ser social. Conviver com pessoas que nos agradam e nos fazem bem é grato exercício em nossa existência. Somos a vitrine de nosso espírito, que por sua vez é temperado pelos sentimentos. Aqueles negativos, como culpa, inveja e ciúme, nos fazem tristes e infelizes. Os positivos, como amor, amizade e respeito, nos dão alegria e encanto de viver. Dentre os últimos, a amizade é o mais bonito e duradouro. Boccaccio, em seu ‘Decamerão’, disse que a amizade faz nascer, nutre e mantém os mais belos sentimentos de generosidade de que o coração humano é capaz. Grande verdade do pensador italiano no século XIV.

Estamos na granja. Final de colheita e o magnífico clima do dever cumprido impera entre os trabalhadores da terra. A natureza outonal, com sua suave luminosidade, transmite sensação de paz e nos induz à autocontemplação. O que nos ensinou a vida ao longo de quase 80 anos? No que resultou após muitos dissabores e frustrações? Tantos amigos e pessoas queridas que partiram! Deveríamos estar desencantados e inapetentes pelo existir. Entretanto não é o que sentimos. A interação com aqueles por quem nutrimos empatia nos renova e incentiva a alegria de viver. A idade aumenta o entendimento da mecânica vital. Interagir com a natureza observando o comportamento de seus seres animais e vegetais nos faz compreender Tales de Mileto, que no século VI a.C. disse que tudo está cheio de deuses e que a harmoniosa organização natural é a essência da deidade. A participação de insetos e pássaros no fantástico processo de reprodução das plantas feito através das flores mostra-nos a importância da solidariedade recíproca na perpetuação das espécies.

Ao conseguirmos a integração com esta maravilhosa sonata que nos é graciosamente ofertada pela natureza, atingimos a paz e o consolo para qualquer desventura que nos aflija. Integrar-se na harmonia pré-estabelecida da ordenação natural é a maneira de conseguir atingir o bem estar e a alegria de viver. O passado não mais existe e o futuro é imprevisível. Desfrutar o presente é o caminho da felicidade. Para isso possuímos a capacidade de percepção e entendimento. Basta fazer o adequado exercício.

Carpe diem, recomendavam os romanos. Viver o dia de hoje é a grande sabedoria. Praticando-a, torna-se mais brando enfrentar qualquer adversidade.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo

COLABORADOR | Carpe diem |Carlos Adílio Maia do Nascimento

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