COLABORADOR | Bons ventos | Carlos Adílio Maia do Nascimento

Linda a foto divulgada na imprensa mostrando o papa Francisco e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversando descontraidamente como velhos amigos. Sinal alvissareiro de que o ano a findar-se prenuncia um próximo com desejado clima de bom senso a reinar entre os homens. É o que todos desejamos, e fazemos votos de que o amor e o entendimento prevaleçam sobre diferenças e ódios seculares que tanta dor têm causado a uma sofrida humanidade. Pensamos estar o mundo a viver o início do fim de amargo período de crueldades e guerras atrozes, provocadas e mantidas por tiranos embasados em plutocracia cega gerada por um modelo econômico concentrador, desumano e insensível.

Dentre os vários confrontos que descaracterizam o humanismo e afrontam a virtude da condição humana, aqueles que se arrastam no Oriente Médio entre povos da mesma origem étnica e da mesma cultura ancestral que embasou grandes civilizações na antiguidade são exemplos claros da insensatez que, às vezes, domina o momento histórico, levando povos aos mais altos níveis de alienação. No século XII, época da primeira cruzada, o mundo muçulmano vivia apogeu de brilho e cultura. As principais cidades, Cairo, Damasco e Bagdá, já contavam um milhão de habitantes, quando Paris e Londres tinham apenas 50 mil, e a noite da Idade Média havia transformado os europeus em bárbaros, se comparados aos muçulmanos. Judeus e muçulmanos viviam em paz e harmonia compartilhando seus conhecimentos. Maimônides, o médico, frequentava a Corte de Saladino e exercia a sua arte. Essa cultura levada para a Europa pela Hégira forneceu as bases para o Renascimento a partir do século XV. Vários interesses, muitos deles escusos, resultaram na situação lamentável de convivência daqueles povos que tanto contribuíram para nossa civilização. Por tudo isso vemos com grande satisfação a visita do ministro hebreu ao Vaticano, bem como a pertinência dos assuntos tratados, primando pelo entendimento e pelas tão almejadas soluções justas e duradouras.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo | COLABORADOR | Bons ventos | Carlos Adílio Maia do Nascimento

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