COLABORADOR | Altos e baixos | Carlos Nascimento

Deveras preocupante a informação do IBGE dizendo ser o Rio dos Sinos um dos mais poluídos do país. Custa crer que uma bacia hidrográfica que abriga cidades ricas, industrializadas, grandes universidades e polos tecnológicos tenha chegado à vergonhosa situação de ser a água de sua calha principal, mesmo tratada, imprópria para consumo humano segundo parâmetros internacionais. O Comitesinos é o mais antigo comitê de gerenciamento de bacia do Estado. Embasado na Unisinos, tem décadas de existência, sendo antecessor das legislações estadual e federal que tratam dos recursos hídricos. Cidades importantes que apresentam grande crescimento lançam a quase totalidade de seus esgotos, sem nenhum tratamento, nas águas de seu rio. Efluentes de toda natureza contaminam córregos e pequenos afluentes deste rio que um dia Viana Moog comparou com o Reno.

Acompanhamos há décadas o drama do Rio dos Sinos e os graves acidentes frequentemente ocorridos em seu ecossistema. Lamentamos que o gerenciamento da bacia não tenha atingido resultados satisfatórios. O inventário hidrológico e o plano diretor, se existente, não estão sendo obedecidos. Saneamento básico parece não ser prioridade no momento em que sustentabilidade é a tônica de todos os discursos. A precária situação do rio atesta o descaso e a insensibilidade da população que deveria, há muito, ter-se mobilizado no sentido de colocar aquela rica região na verdadeira rota do desenvolvimento sustentável.

Nosso admirável país tem cumprido sua saga histórica sempre com altos e baixos. Felizmente, para abrandar as agruras que acabamos de enunciar, temos notícias alvissareiras. O governo do Estado, ratificando a importância do ensino profissionalizante, estabelece meta de ofertar 140 mil vagas em diversos cursos de qualificação no corrente ano. É resultado do Pacto Gaúcho pela Educação criado em 2011. Trata-se de uma rede de colaboração entre governo, universidades, empresários e trabalhadores empenhados na qualificação técnica e tecnológica para atender à demanda por mão de obra nos diversos setores de produção. E ainda estudantes gaúchos participaram nos Estados Unidos da First Robotic Competition, uma das maiores competições de robótica no mundo. A equipe The Brazilian Trailblazers, da GM de Gravataí, composta por 27 jovens entre 11 e 18 anos, todos matriculados na rede pública de ensino, recebeu prêmios importantes e foi a melhor colocada da América Latina.

presidente do Instituto Brasileiro de Produção Sustentável

Fonte: Correio do Povo | Carlos Nascimento

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