Cânhamo poderá ser incluído na nova "Farm Bill" americana

A nova "Farm Bill", a lei agrícola dos EUA, que será aprovada nos próximos dias, poderá trazer uma novidade, já que o Congresso americano caminha para legalizar o cânhamo ("hemp em inglês). Como a maconha, o cânhamo é uma planta que pertence ao gênero Cannabis, mas tem baixo teor de tetrahidrocanabinol (THC), o princípio ativo que causa efeitos psicoativos, e normalmente é utilizado em medicamentos, cosméticos e alimentos – sua fibra também pode ser usada na produção de papel, tecidos e cordas.

Se confirmada sua legalização nos EUA, o cânhamo sairá da lista de Washington de substâncias controladas. E isso tornará seus produtores elegíveis a receber generosos subsídios, seguro para a colheita e apoio para pesquisas por parte do Departamento de Agricultura (USDA). A tendência é que seja criado um dos maiores mercados do mundo para a expansão dessa fibra como fonte renovável que pode ser incorporada em milhares de produtos.

A "Farm Bill" aprovada em 2014 custou US$ 489 bilhões em cinco anos, segundo o Congressional Research Service. A estimativa é que a nova lei vai custar cerca de US$ 860 bilhões entre 2019 e 2028, com programas de apoio a commodities, promoções comerciais, desenvolvimento rural, conservação e nutrição. Cerca de 80% do valor é destinado a programas de alimentação para pobres – como o "food stamp", que beneficia 40 milhões de pessoas (12% da população).

No início da semana, os presidentes dos comitês de Agricultura do Senado e da Câmara de Representantes anunciaram um acordo sobre a nova "Farm Bill". O texto completo não foi liberado, mas alguns parlamentares consideram que a nova lei parece bastante similar à que expirou em setembro. O que pode ter de novo é o que já anima o segmento de "hemp".

A possível legalização da fibra na "Farm Bill" teve o caminho aberto na lei anterior, de 2014. Foi quando o senador e atual líder da maioria, o republicano Mitch McConnell, incluiu autorização para os Estados desenvolverem projetos-pilotos para pesquisar a viabilidade do cânhamo’ para produção comercial. Desde então, pelo menos 40 Estados americanos aprovaram legislação relacionada ao cultivo da fibra, tratando de questões como licença e certificação de sementes.

McConnell batalhou agora pela legalização da fibra na nova lei agrícola por entender que ela pode ajudar na sobrevivência dos agricultores de seu Estado, o Kentucky. Uma semente custa US$ 1,50, mas uma planta pode render de US$ 90 a US$ 1000. Em quatro anos, com o primeiro passo dado pelos congressistas, o mercado de cannabidiol (CBD) avançou rapidamente. As vendas de produtos à base de cânhamo totalizaram US$ 820 milhões em 2017, 16% mais que no ano anterior. A expectativa é que o montante alcance quase US$ 2 bilhões em 2022.

Com relação ao algodão, a expectativa também é grande sobre a versão da nova "Farm Bill". O Brasil já fez indagações aos EUA em comitê da OMC sobre notícias de que a commodity voltará a ser elegível a receber subsídios por vários programas dos quais tinha sido excluída em 2014, conforme um acordo entre Washington e Brasília. A questão, agora, é o que eventualmente poderá ser incluindo em novas ajudas aos cotonicultores americanos.

Por Assis Moreira | De Genebra

Fonte : Valor