Câmbio potencializa perdas da Biosev

"No trimestre, o ATR foi o maior das últimas quatro safras", disse Chammas
Segunda maior companhia de açúcar e etanol do país, a Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, apresentou no trimestre findo em 30 de setembro, equivalente ao 2º trimestre da atual safra, a 2015/16, um prejuízo líquido de R$ 219 milhões. Em igual intervalo do ano passado, a companhia havia registrado uma perda líquida de R$ 42,4 milhões. O desempenho foi altamente impactado pela valorização cambial.

O resultado financeiro do trimestre foi negativo em R$ 859,5 milhões, 190% acima do registrado um ano antes. Desse montante, o efeito do câmbio foi de R$ 790 milhões, resultado da depreciação de 28,1% do real em relação ao dólar no intervalo. Conforme a Biosev, excluindo-se o efeito da variação cambial – que, segundo a empresa, será revertido ao longo dos próximos meses com a realização da receita de exportação de açúcar – o resultado financeiro foi uma despesa de R$ 69 milhões, 40% menor que a registrada em igual intervalo do ciclo 2014/15.

No trimestre, a companhia desembolsou R$ 233 milhões com pagamento de juros de empréstimos e de financiamentos – R$ 82 milhões acima dos R$ 151 milhões pagos em mesmo trimestre do ano passado. Conforme a companhia, em torno de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões da diferença entre um trimestre e outro decorreu do efeito da valorização do dólar no período.

A alta da moeda americana também foi determinante no crescimento da dívida da companhia. Em 30 de setembro, a Biosev apresentava um endividamento líquido de R$ 6,4 bilhões, 27,8% acima do registrado ao fim do trimestre imediatamente anterior (30 de junho). Em torno de 82% da dívida bruta da empresa está expressa em dólar.

No front operacional, a Biosev obteve um maior lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado no trimestre – aumento de 26%, para R$ 344 milhões. Já a margem Ebitda ajustada recuou 4,8 pontos em igual comparação, para 19,8%. "Vendemos mais produto e tivemos um custo operacional parecido com o do ano passado. Tivemos ainda uma redução dos gastos fixos. As despesas gerais e administrativas caíram 9%, para R$ 91,8 milhões no trimestre", esclareceu o presidente da Biosev Rui Chammas.

Até 30 de setembro, a companhia havia processado 20,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em suas 11 usinas no país. Trata-se de um volume 1,9% abaixo do registrado em igual intervalo de 2014/15. O executivo reafirmou que está mantido o guidance de processar entre 29 milhões e 32 milhões de toneladas no atual ciclo.

No acumulado da temporada, a produtividade do canavial da empresa cresceu 14,3%, para 80,5 toneladas por hectare e o teor de açúcar na cana (o chamado ATR – Açúcar Total Recuperável) acumula leve alta de 0,9%, para 129 quilos por tonelada processada. "No segundo trimestre, o ATR atingiu 137,5 quilos por tonelada, o maior das últimas quatro safras", afirmou Chammas.

Devido à conta de prejuízos acumulados, ao fim do segundo trimestre de 2015/16, a Biosev apresentava um patrimônio líquido negativo em R$ 247 milhões.

Por De São Paulo

Fonte : Valor

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