Câmbio é importante para rentabilidade dos grãos, diz diretor da SLC

O câmbio tem sido um fator importante para a boa rentabilidade dos produtores brasileiros, a contínua expansão de área cultivada com grãos no país e a maior oferta de produto brasileiro no mercado internacional

A avaliação foi feita nesta quinta-feira (10/3) pelo diretor presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, durante teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre e do ano de 2015.

Para haver expansão de área em todo o mundo, as cotações dos grãos precisam subir, segundo o executivo. "Os preços da soja não estariam em torno de US$ 8/bushel se o câmbio no Brasil fosse de R$ 2,20. O Brasil é um formador de preços (no mercado internacional)", afirmou.

O dólar valorizado em relação ao real tem trazido boa remuneração aos produtores brasileiros, que se vêm estimulados a ampliar a área plantada de soja e milho e acabam elevando a oferta de grãos no mercado internacional, pressionando as cotações dessascommodities. Mas Pavinato observou que produtores dos Estados Unidos, que não se beneficiam do câmbio, têm sofrido com as baixas cotações dos grãos.
De acordo com o executivo, o breakeven (ponto a partir do qual o investidor deixa de perder dinheiro e passa a ganhar acima do capital investido) de produtores norte-americanos de soja que produzem em terras próprias está em torno de US$ 7 por bushel.
No caso dos que trabalham em terras arrendadas, o valor sobre para entre US$ 9,50 e US$ 10 por bushel – acima da atual cotação da oleaginosa. Já no Brasil, dependendo da região, o breakeven varia de US$ 6 a US$ 9/bushel, disse o diretor presidente da SLC.
No caso do milho, enquanto o breakeven para produtores dos EUA hoje gira em torno dos US$ 4/bushel, no Brasil varia de US$ 2/bushel (no Paraná) e US$ 3/bushel (em Mato Grosso), segundo Pavinato. "O Brasil, mesmo com cotações baixas, continua expandindo sua área plantada, mas o produtor norte-americano vai continuar sofrendo com margens apertadas. O argentino começa a ser competitivo. Mas as cotações precisam avançar para haver ampliação de área plantada de grãos no mundo", declarou.
A possibilidade de 50% de ocorrência do fenômeno climático La Niña, segundo modelos climáticos acompanhados pela SLC, poderia levar à redução da produção de soja e milho no mundo e à elevação nas cotações das commodities, o que abriria caminho para novas expansões de área cultivada em outros países. "Essa quebra vai acontecer, não sabemos se em 2016 ou 2017. Aí o preço vai ter de ir para US$ 11/bushel", explicou Pavinato na teleconferência.
O diretor presidente da SLC comentou ainda sobre as cotações internacionais do algodão que, em sua avaliação, "não pagam a conta dos americanos, chineses e indianos" – estes últimos, disse Pavinato, só continuam plantando porque têm subsídios. "Neste momento, o hemisfério norte vai pensar duas vezes antes de plantar algodão, o que talvez leve a nova redução de área plantada", afirmou o executivo.
Apesar dos estoques mundiais baixos da pluma, a possibilidade de que a China coloque seus estoques de algodão à venda pode pressionar os preços da commodity, avaliou Pavinato.
Mesmo que este algodão venha a ser vendido internamente, haveria menor demanda chinesa pela pluma de outros países, o que pressionaria ainda mais as cotações. "A China precisa reduzir estoques de algodão para o mercado voltar a funcionar normalmente", complementou.
A SLC cultiva tanto algodão como milho 2ª safra e vem trabalhando para elevar "ao máximo possível" o plantio dessas culturas por causa da redução dos custos proporcionados. "Hoje já temos 87 mil hectares cultivados com segunda safra. Nas nossas fazendas, a estimativa é de que podemos ter ao menos mais 20 mil hectares plantados com segunda safra ao longo dos próximos anos", afirmou.


Estadão Conteúdo

Fonte: Famasul

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