Câmbio e exportação ajudam Minerva

Impulsionada pelo aumento das exportações e pelo impacto da alta do dólar sobre as receitas externas, a Minerva Foods, terceira maior empresa de carne bovina do Brasil, encerrou o quarto trimestre de 2015 com lucro líquido de R$ 66,5 milhões. No mesmo intervalo de 2014, a empresa havia registrado prejuízo de R$ 304 milhões.

A empresa, que obtém cerca de 70% da receita no mercado externo, teve receita líquida de R$ 2,753 bilhões no quarto trimestre de 2015, alta de 29,4% sobre os R$ 2,127 bilhões do mesmo período de 2014. "Esse trimestre foi o melhor da história da empresa, tanto do ponto de vista de receita líquida quanto de geração de Ebitda", disse o diretor-financeiro da Minerva, Edison Ticle.

No quarto trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) totalizou R$ 337,0 milhões, alta de 71,7% sobre os R$ 196,3 milhões do mesmo período do ano de 2014. Já a margem Ebitda saiu de 9,2% no quarto trimestre de 2014 para 12,2% nos últimos três de 2015. No quarto trimestre de 2015, a empresa também gerou fluxo de caixa livre positivo de R$ 44,2 milhões.

O bom desempenho das vendas externas também significou ganho de mercado da Minerva nas exportações brasileiras de carne bovina in natura. Na contramão do que ocorreu com as exportações do Brasil, que caíram 12,1% em volume em 2015, os embarques da Minerva cresceram 17%. Com isso, a participação da companhia passou de 16,3% para 21,7%. Só no quarto trimestre de 2015, as exportações da Minerva aumentaram 14,2%.

No mercado interno, o volume vendido caiu 20,7% no quarto trimestre ante igual período do ano anterior, para 54,8 mil toneladas. A despeito disso, o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz destacou que a receita bruta no mercado interno cresceu 5,6% no quarto trimestre e 17% em 2015. "Mesmo com o mercado interno sofrendo, crescemos em faturamento. Isso mostra que mesmo no mercado interno existem oportunidades".

A Minerva conseguiu reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses), de 4,8 vezes no terceiro trimestre para 4,1 vezes no quarto trimestre. Segundo Ticle, o índice de alavancagem cai ainda mais quando considerado os cerca de R$ 750 milhões recebidos da Saudi Agricultural and Livestock Investment (Salic) neste primeiro trimestre no processo de aumento de capital – a gestora saudita terá quase 20% das ações da Minerva. Com os recursos, o índice estaria em 3,4 vezes.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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