Câmbio afetou resultado da Minerva no 4º tri de 2016

A valorização do real sobre o dólar afetou a rentabilidade da Minerva Foods, terceira maior empresa de carne bovina do país, no quarto trimestre de 2016. No período, a empresa teve um lucro líquido de R$ 12,3 milhões, 81,5% menos que em igual intervalo do ano anterior. No acumulado de 2016, no entanto, o resultado melhorou e a Minerva lucrou R$ 195 milhões, ante o prejuízo de R$ 800 milhões de 2015.

Com o dólar menos atraente para exportar, a Minerva manteve a estratégia já adotada no terceiro trimestre de reforçar as vendas no país. No quarto trimestre, a receita bruta no mercado doméstico cresceu 29,5% em relação ao mesmo período de 2015, para R$ 1,2 bilhão. A receita bruta no mercado externo diminuiu 21,7%, para R$ 1,5 bilhão.

Mesmo com o aumento das vendas no Brasil – a Minerva ampliou a base de clientes de 30 mil para 50 mil no período -, a receita líquida da companhia recuou 7,2% no quarto trimestre, para R$ 2,6 bilhões. Mas a receita aumentou 1,3% em 2016 como um todo, para R$ 9,48 bilhões. Em entrevista a jornalistas, o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, destacou que o crescimento das vendas no ano acontece no momento em que outras empresas amargam redução devido à recessão no país.

No quarto trimestre, porém, o impacto do câmbio foi sentido. No período, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 25,8%, para R$ 249,9 milhões. Segundo Ticle, o Ebitda do último trimestre de 2015 foi formado com um dólar a R$ 3,90, enquanto no quarto trimestre de 2016 o dólar ficou cotado, em média, a R$ 3,26 Nesse cenário, a margem Ebitda caiu 2,5 pontos percentuais na comparação, recuando de 12,2% para 9,8%.

Apesar disso, Ticle disse que, mesmo com a apreciação do real no quarto trimestre, a Minerva conseguiu manter o patamar de margem ante o terceiro trimestre. De acordo com o executivo, isso foi possível porque a companhia "esticou o hedge de câmbio nas exportações". Questionado sobre os possíveis impactos da continuidade da valorização do real em 2017, o executivo argumentou que a tendência para a oferta de boi gordo no Brasil e para os preços internacionais da carne bovina são favoráveis, o que pode ajudar a compensar o impacto do câmbio. No acumulado do ano passado, a margem Ebitda da empresa foi de 10,3%, ante 10,7% em 2015.

De acordo com o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, a restrição de oferta de gado vista nos últimos três anos no Brasil deve mesmo se reverter em 2017, reduzindo o custo de aquisição de matéria-prima. Em geral, o boi gordo responde por 80% do custos de um frigorífico. Na área internacional, o aumento da demanda da China e do Oriente Médio e a restrição de oferta de gado na Austrália devem contribuir para a elevação dos preços em dólar da carne bovina exportada.

Na área financeira, a Minerva reportou um índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) de 3,4 vezes no fim de dezembro, ante 3,1 vezes em setembro. O aumento reflete o Ebitda menor do quarto trimestre. No fim de dezembro, a dívida líquida totalizava R$ 3,4 bilhões. A empresa também sinalizou, finalmente, que o cancelamento da aquisição do frigorífico capixaba Frisa recolocou a Argentina e a Colômbia no topo das prioridades de investimentos.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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