Câmara do Trigo quer crédito para moinhos no Rio Grande do Sul

VILMAR DA ROSA /DIVULGAÇÃO/JC

Representantes da cadeia entregaram documento ao governador para ser encaminhado a Brasília
Representantes da cadeia entregaram documento ao governador para ser encaminhado a Brasília

O governador Tarso Genro recebeu, na manhã desta quinta-feira, durante interiorização do governo do Estado em Passo Fundo, documento da Câmara Setorial do Trigo em que os representantes da cadeia produtiva solicitam interferência junto à presidente Dilma Rousseff para criação de uma linha especial de crédito às indústrias gaúchas beneficiadoras do grão.
O pedido reivindica a disponibilização, pelo governo federal, de um montante entre R$ 500 e 600 milhões para os 82 moinhos instalados no Rio Grande do Sul. O segmento beneficia 1,1 milhão de toneladas de trigo por ano e emprega aproximadamente 2.500 empregos.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Rio Grande do Sul, José Antoniazzi, um dos signatários do documento, o setor está descapitalizado, não dispondo de recursos para promover as aquisições mensais de 86 mil toneladas de matéria-prima. “Para não ocorrer desabastecimento, teríamos que importar, o que elevaria o custo final da farinha de 15 a 20%”, explicou.
Conforme o presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, neste ano a cadeia tritícola vive um momento atípico de comercialização, uma vez que o Paraná, maior estado produtor no Brasil, reduziu em 25% a área semeada. Além disso, a Argentina, que era o maior abastecedor do mercado brasileiro, também diminui as lavouras, ao passo que o preço internacional do produto vem sofrendo elevação. “Diante desse cenário, o produtor tem sido incentivado a exportar sua colheita. Pelo menos 900 mil toneladas das 2,7 milhões que devemos produzir já estão comercializadas no mercado futuro”, lembra Jardim. A maior parte desse volume negociado terá como destino os países do Norte da África.
Com o mercado aquecido, Jardim acredita que, ao contrário do que geralmente ocorre, neste ano os triticultores não precisarão buscar apoio do governo federal através dos mecanismos de comercialização, como PEP, Pepro e AGF, que garantiam preço mínimo ao produtor. “A tendência é que o valor oferecido pelo mercado seja igual ou supere o preço mínimo, que hoje está em R$ 30,05 a saca, permitindo ao agricultor recuperar os altos custos de produção que teve para formar as lavouras, com o aumento dos insumos”, destaca.
De acordo com o secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, se adotada, a medida sugerida pela câmara setorial vai dar condições para que o trigo produzido pelos agricultores gaúchos possa ser mantido no Estado, a fim de garantir o normal funcionamento da indústria moageira. “Esta linha de crédito evitaria o passeio do trigo, mantendo parte da nossa produção para uso em nosso parque industrial”, acrescentou. Segundo Mainardi, o ofício entregue ao governador também deve ser encaminhado nesta sexta-feira ao ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho.

Fonte: Jornal do Comércio

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