Clima impulsiona a produção de grãos

Por Fernanda Pressinott, Bettina Barros, Bruno Villas Bôas e Cristiano Zaia | De São Paulo, Rio e Brasília

O clima até agora favorável ao plantio e ao desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras levou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a elevar sua estimativa para a colheita total de grãos no país nesta temporada 2018/19.

Em levantamento divulgado ontem, a estatal passou a prever a safra em 238,4 milhões de toneladas, 2,6 milhões a mais que o projetado em novembro. O volume é 4,6% superior ao observado em 2017/18 e praticamente o mesmo do ciclo 2016/17 – até agora o maior da história, com 238,5 milhões de toneladas.

Conforme a Conab, a produtividade da safra atual também será a segunda melhor já registrada. Na média, levando-se em conta uma área plantada de 62,5 milhões de hectares (1,2% maior que na safra passada), deverá alcançar 3.815 quilos por hectare, ante os 3.690 quilos de 2017/18 e o recorde de 3.921 quilos de 2016/17.

Em pesquisa divulgada também na manhã de ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística projetou uma colheita total de grãos um pouco menor no ano que vem: 231,1 milhões de toneladas, 4,4 milhões a mais que o calculado no mês passado e incremento de 1,7% sobre o volume estimado para 2018.

Independentemente da diferença entre os números de Conab e IBGE, soja e milho deverão novamente ser os grandes destaques da temporada. No caso da oleaginosa, carro-chefe do agronegócio nacional, um novo recorde está por vir; no do cereal, uma flagrante recuperação.

Para a soja, a Conab agora prevê uma colheita de 120,1 milhões de toneladas, 2,1 milhões a mais que o estimado em novembro e volume 0,7% superior ao de 2017/18. Já a colheita de milho deverá atingir 91,1 milhões de toneladas, 600 mil acima do projetado no mês passado e total 12,8% maior que o de 2017/18.

Puxará a recuperação do milho a segunda safra. Para a "safrinha", semeada em diversas regiões do país após a colheita da soja que no momento está em desenvolvimento, a Conab continuou a estimar 63,7 milhões de toneladas, um aumento de 18,1% em relação ao volume do ciclo 2017/18.

O IBGE projeta um volume um pouco menor (61,2 milhões de toneladas), mas deverá corrigi-lo para cima nos próximos levantamentos, se as condições climáticas permanecerem favoráveis.

"Desde setembro choveu bastante no Sul do país. E, a partir de outubro, choveu no Brasil todo. É diferente do que vimos no ano passado, quando tivemos um período sem chuvas até o meio de outubro", afirmou Carlos Alfredo Guedes, gerente de agricultura do IBGE.

Com preços particularmente atraentes, o algodão também deverá se destacar pelo forte aumento da produção projetado. Segundo a Conab, serão 2,4 milhões de toneladas da pluma, 17,8% mais que na safra 2017/18.

Conforme Cléverton Santana, da Conab, esse volume, recorde, reflete aumento de 23,2%, para 1,4 milhão de hectares na área plantada na comparação com 2017/18. Isso deverá compensar uma queda de produtividade estimada em 4,4%, para 1.633 quilos por hectare.

Para os básicos arroz e feijão, entretanto, as projeções de Conab e IBGE sinalizam uma nova safra de quedas. A Conab passou a prever a colheita de arroz em 11,3 milhões de toneladas, 6,6% menos que em 2017/18, e a de feijão em 3 milhões, retração de 3,3% na mesma comparação.

Mais em www.conab.gov.br

Fonte : Valor

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