Clima e câmbio pressionam resultado das usinas

Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/Valor
"Em torno de 70 mil toneladas de açúcar já estavam no porto e não puderam ser embarcadas", afirma Venturelli. Não fosse por isso, o lucro teria sido melhor

Os três grupos sucroalcooleiros com capital aberto – Cosan / Raizen Energia, São Martinho e Tereos Internacional / Guarani – tiveram um primeiro trimestre difícil nesta safra 2012/13. As chuvas atrapalharam a moagem de cana e as exportações de produtos, os preços de açúcar e etanol declinaram e a variação cambial turbinou a dívida em dólar (sem gerar efeito caixa).

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de todas as empresas recuou na comparação com igual trimestre do ciclo passado. Na São Martinho, que divulgou ontem seu resultado, o Ebitda ajustado caiu 28,2%, para R$ 105,6 milhões. O Ebitda da Raízen Energia recuou 21,4%, para R$ 323,5 milhões. Na Guarani, o Ebitda ajustado mergulhou 63,6%, para R$ 41 milhões.

As chuvas excessivas nos meses de maio e junho reduziram drasticamente a moagem das usinas, que agora esperam, com o clima mais favorável, recuperar o tempo perdido e compensar o primeiro trimestre ruim nos próximos meses. "Em torno de 70 mil toneladas de açúcar já estavam no porto e não puderam ser embarcadas. Se não fosse isso, teríamos um lucro bem próximo do realizado no mesmo trimestre do ano passado", disse o presidente da São Martinho, Fábio Venturelli. O lucro líquido (atribuído a acionistas) da empresa foi, no 1º trimestre da safra, de R$ 2,4 milhões, ante os R$ 37,9 milhões de um ano atrás.

Além do desafio de correr contra o relógio para moer cana, os grupos se protegem em bolsa para garantir preços remuneradores de açúcar. A Raízen Energia tem hedge de 2,108 milhões de toneladas da commodity, ou 74,4% do volume que será exportado no ciclo 2012/13, ao preço médio de 22,88 centavos de dólar por libra-peso. A São Martinho fixou, até 30 de junho, 529 mil toneladas de açúcar do ciclo 2012/13 ao preço médio de 24,3 centavos de dólar por libra-peso. O volume equivale a 67,5% do açúcar disponível para venda nos próximos trimestres da safra.

Já a Guarani é, entre as três, a com menor volume fixado. A companhia informou que 402 mil toneladas de açúcar da safra atual estão com preços fixados ao valor médio de 19,20 centavos de dólar por libra-peso. A companhia também fez hedge cambial desse volume com cotação média de R$ 1,965. A quantidade fixada corresponde a cerca de 35% da produção esperada para o ciclo.

Ontem, as cotações do açúcar na bolsa de Nova York (contrato março) fecharam sem variação, a 20,90 centavos de dólar por libra-peso. No ano, a commodity amarga queda de 8,93%, segundo o Valor Data. O etanol, que traz pouca alternativa de hedge às usinas, não vem remunerando até o momento o custo total de produção das companhias. Ontem, o preço do metro cúbico do hidratado (indicador Esalq/BM&F, Paulínia) fechou em leve alta de 0,05% a R$ 1.073,50, mas acumula queda de 13% no ano, e em comparação com o mesmo período do ano passado, está 11% mais baixo.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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