CLIMA ATRAPALHA O PLANTIO DO TRIGO NO RS

Atraso na semeadura do grão pode comprometer aumento de área previsto

A intensidade das chuvas começa a preocupar os produtores de várias regiões do Estado. O clima atrasa a semeadura das culturas de inverno, incluindo a principal delas, o trigo – o que compromete a expectativa da Emater, de aumento de 9% na área plantada na safra 2014/2015.

Segundo o Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, a precipitação ultrapassou os 200 milímetros na região Norte, apenas no mês de junho. Em Erechim, levantamento do escritório regional da Emater contabilizou 417 milímetros desde o início do mês. Na região do Alto Uruguai, 40% da área de trigo, estimada em 44 mil hectares, foi semeada. Segundo o gerente do escritório regional da Emater em Erechim, Paulo Silva, a previsão inicial não deverá ser alcançada, já que ainda há o risco de incidência do fenômeno climático El Niño. ‘Tem agricultores pensando em reduzir a área e até em não plantar em função da previsão’, observou. Além de dificultar a continuidade do plantio, a umidade prejudica a germinação. Em Quatro Irmãos, lavouras recém-plantadas foram cobertas por água.

As condições climáticas também podem refletir nas culturas de verão, atrasando o plantio. ‘Para não comprometer a soja, principal cultura da região, muitos agricultores estão desistindo da safra de inverno’, constata Kassiana Kehl, agrônoma responsável pela unidade de cultivos de inverno da Fundação Pró-Sementes, de Passo Fundo.

O diretor técnico da Emater, Gervásio Paulus, acredita que ainda é cedo para saber se a área plantada de trigo irá alcançar a previsão inicial feita pela entidade, que era de 1.153.223 hectares. ‘Ainda acho que é possível alcançar, embora já comece a ser colocada em risco’, admite. De acordo com ele, o futuro do trigo gaúcho irá depender das condições climáticas das próximas semanas, em especial na primeira quinzena de julho. ‘Será preciso pelo menos uma semana de sol para que os agricultores possam voltar a entrar com as máquinas na lavoura.’

Fonte: Correio do Povo

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