Clima adverso volta a impulsionar preços do café

Depois de recuarem no fim de 2014, os preços do café arábica registraram alta de 5,9% neste mês na bolsa de Nova York, de acordo com o Valor Data, considerando os contratos de segunda posição de entrega. O principal fator que tem impulsionado as cotações da commodity é o clima, pois as chuvas nas principais regiões produtoras do grão no Sudeste do país têm sido irregulares.

Ontem, os papéis com vencimento em maio cederam e fecharam em queda de 1,8% (330 pontos), a US$ 1,7940 por libra-peso. Apesar da alta recente, alguns analistas acreditam que o mercado de café não terá força nos primeiros meses de 2015 para superar o patamar de US$ 2 por libra-peso atingido em 2014. Nos primeiros meses do ano passado, a seca e o forte calor fizeram o café registrar alta significativa e os temores sobre o impacto do clima adverso na safra a ser colhida em 2015 continuaram a dar suporte ao mercado.

Gil Barabach, analista da consultoria Safras & Mercado, observa que, no início deste ano, o mercado teve uma correção técnica devido à baixa registrada no fim de 2014 em função das chuvas. Barabach acredita que, se o clima seco persistir, os preços da commodity podem subir. Mas para ultrapassar o nível de US$ 2 por libra-peso, seria preciso ter uma quebra na safra, o que somente poderá ser confirmado nos próximos meses.

Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Somar Meteorologia, diz que as chuvas irregulares sobre o Sudeste devem permanecer até o próximo dia 25, quando uma frente fria deverá romper o bloqueio que impede essas frentes de atingir a região, o que deve também amenizar as altas temperaturas. Mas, entre o fim de fevereiro e início de março, pode haver irregularidades nas chuvas de novo.

Santos observa, ainda, que localidades dentro da mesma área de um município apresentam situação climática diferente. Dessa maneira, as condições das lavouras de café variam muito.

Na região de atuação da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaiso) – sudoeste de Minas e Mogiana Paulista -, as lavouras já apresentam crescimento dos novos ramos abaixo do estimado para o período e grãos com coloração amarelada, o que indica baixo acúmulo de energia pela planta. São sinais de que o desenvolvimento dos grãos está sendo prejudicado, além de impedir o crescimento da planta para a safra de 2016, explica Emerson Tinoco, coordenador do departamento agrocomercial da Cooparaíso.

No ano passado, mesmo com a seca que prejudicou o tamanho e o desenvolvimento dos grãos, o Brasil exportou volume recorde de café (grão verde e industrializado) – 36,3 milhões de sacas, aumento de 14,7% sobre 2013, divulgou ontem o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). A receita foi de US$ 6,6 bilhões, alta de 26% sobre 2013.

Fonte: Valor | Por Carine Ferreira

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