Clima adverso deve reduzir safra de maçã em 5% a 10%

Luis Ushirobira/Valor / Luis Ushirobira/Valor
Produção de maçã em Vacaria (RS); falta de mão de obra atrasou a colheita

A safra brasileira de maçã deverá registrar a segunda quebra consecutiva este ano, devido, novamente, a problemas climáticos. A expectativa do Associação Brasileira de Produtores de Maçãs (ABPM) é de perdas de 5% a 10%.

A estimativa tem como base o desempenho das lavouras da variedade Gala, a mais produzida e que responde por 60% do consumo nacional. Colhida entre janeiro e fevereiro, a variedade sofreu mais com a falta de chuvas e o calor acima do previsto para essa época do ano.

"Quando tem quebra na produção da Gala, precisamos produzir muita Fuji para compensar, o que não deve ocorrer este ano", afirmou Pierre Nicolas Pérès, presidente da entidade, referindo-se à segunda variedade de maçã mais popular no país. "A colheita de Fuji se encerra em maio. Só depois disso podemos ter uma ideia precisa dos prejuízos. Mas dificilmente a Fuji conseguirá compensar totalmente".

Segundo produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, os maiores produtores nacionais, a seca ocorreu em um período particularmente ruim para o desenvolvimento da fruta – a época do seu enchimento. Com isso, as maçãs desta safra ficaram menores e, portanto, com menor valor de mercado in natura.

"Além disso, as altas temperaturas à noite também atrapalharam na formação da pigmentação das maçãs", diz Leandro Bortoluz, presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi). Segundo ele, é a amplitude térmica – noites mais frias que os dias – que desencadeia esse processo. Se a noite também é quente, elas não ganham cor. "Ficaram bem mais amareladas".

Na safra passada, os Brasil produziu 1,060 milhão de toneladas de maçãs Gala, Fuji e outras variedades de menor expressividade no mercado brasileiro em uma área de 38,9 mil hectares. O resultado já havia sido uma quebra de 10% em relação ao ano anterior. "Esperávamos colher 1,2 milhão de toneladas neste ano. Vamos chegar a 900 mil, 950 mil", diz Bortoluz.

A falta de mão de obra também atrapalhou, diz Pérès. "Atrasamos o início do colheita por falta de gente nos pomares". O setor é um dos que tem sofrido com a migração de mão de obra do campo para a cidade – o déficit este ano foi de 20 mil pessoas.

Por causa disso, produtores já estudam a possibilidade de mecanizar as lavouras, de forma a reduzir a dependência de mão de obra. A ABPM pleiteia uma linha de quase R$ 1 milhão junto à Finep para o desenvolvimento de uma máquina adaptada para colheita de maçãs na região.

"A colheita mecanizada é comum na Europa, mas a importação de máquinas, além de cara, não dá certo aqui por causa dos terrenos acidentados", diz Pérès. Segundo ele, a intenção é colocar a primeira máquina-piloto, para teste, já na safra do ano que vem.

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Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo

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