Clariant terá planta de etanol celulósico

A multinacional suíça Clariant, que atua no setor químico e tem operações no Brasil, vai construir uma usina para produzir etanol celulósico a partir de resíduos agrícolas na Romênia. A companhia já tem uma planta-piloto de etanol celulósico em suas instalações de pesquisa em Munique, na Alemanha, onde testa tecnologias próprias desde 2009. O aporte na nova unidade será de cerca de € 100 milhões.

A principal matéria-prima para a produção do biocombustível será a palha de trigo, mas outros cereais fornecidos por agricultores locais também serão utilizados. A usina, que será erguida no município romeno de Podari, próximo a Craiova, na região sudoeste do país, terá capacidade para processar cerca de 250 mil toneladas de biomassa por ano, que resultarão em uma produção de 50 mil a 150 mil toneladas de etanol por ano.

Os subprodutos do processo (lignina e resíduos) serão usados para gerar energia elétrica, que garantirá o abastecimento da usina de etanol. A planta de cogeração terá capacidade para gerar de 5,4 a 6,1 megawatt-hora (MWh). Parte dos resíduos restantes também será utilizada como fertilizante. Dessa forma, segundo a Clariant, o etanol será um produto praticamente neutro em carbono. As emissões de gases de efeito estufa serão 95% menores do que as dos combustíveis fósseis.

O processo tecnológico da usina foi desenvolvido pela companhia e batizado de sunliquid. Envolve o uso de enzimas integradas ao processo e enzimas otimizadas para a conversão simultânea de celulose e hemicelulose em etanol. Dessa forma, no processo o pré-tratamento da biomassa dispensa produtos químicos.

Outra diferença em relação a processos já utilizados na produção de etanol celulósico é a fermentação simultânea de açúcares com diferentes moléculas (com cinco e com seis carbonos). A junção desses dois açúcares, segundo a companhia, garante eficiência em termos de custos.

"Depois de mais de uma década de pesquisa e desenvolvimento, a Clariant está investindo mais de € 100 milhões em sua primeira planta sunliquid. Essa tecnologia é pioneira não só na Europa, mas em todo o mundo. Além disso, em cooperação com instituições nacionais e europeias, a Clariant apoia a conversão industrial de toda uma região com esse significativo investimento", afirmou Christian Kohlpaintner, membro do comitê executivo da Clariant.

A decisão de construir a unidade na cidade romena de Craiova foi motivada pela existência de uma oferta considerada segura de matérias-primas e pela infraestrutura logística e industrial existente na região.

Com a usina em operação, os agricultores da região poderão comercializar produtos que atualmente são descartados, como a palha do trigo e a espiga do milho. A unidade em si deverá empregar entre 100 e 120 trabalhadores e criar mais cerca de 300 empregos indiretos nas indústrias auxiliares que atendem a unidade, bem como nos setores de transporte e armazenamento de matérias-primas.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor