Cientistas usam bactérias oceânicas para produzir etanol

Fonte:  Globo Rural

Microorganismos minúsculos de ambientes quentes têm capacidade para fermentar moléculas celulósicas e produzir álcool

por Globo Rural On-line

 Shutterstock

Extremófilos que produzem etanol habitam o fundo do mar

Cientistas da South Dakota School of Mines & Technology estão usando microorganismos minúsculos que vivem em ambientes muito quentes para produzir etanol de segunda geração. O trabalho foi divulgado pela revista científica HypeScience. Estes seres são chamados de extremófilos e podem ser encontrados em ambientes quentes, salgados, ácidos e gasosos, segundo os cientistas.
As experiências com os extremófilos começaram quando Rajnesh Sani, professor de engenharia biológica e química da instituição localizou uma comunidade destes seres em uma mina, no fundo do mar, onde as temperaturas eram superiores a 45 graus Celsius. Segundo ele, poucos organismos são capazes de sobreviver a temperaturas tão elevadas.
Sani conseguiu isolar os extremófilos através da bactéria Geobacillus e iniciou as pesquisas. Primeiro, ele inseriu os organismos em lascas de madeira e observou que estes seres tinham grande capacidade de quebrar as moléculas celulósicas. No segundo experimento, o cientista iseriu os Geobacillus em resíduos de milho e capim e, novamente, a capacidade de fermentar as moléculas de celulose, resultando em produção de álcool, foi alta. "Estes microorganismos provaram ser capazes de suportar as altas temperaturas do processo industrial e demonstraram grande capacidade de quebrar as moléculas celulósicas de material vegetal", disse o professor.
O processo de fermentação usado para testar os extremófilos foi o mesmo usado para produzir biocombustível e cervejas, mas Sani afirma que os microorganismos exigem menos etapas do que as leveduras tradicionais, usam menos água e menos reatores. "Estamos eliminando alguns passos do processo convencional para tornar o método mais rentável", disse.
A produção de etanol em escala a partir dos extremófilos ainda está longe de acontecer, mas Barny Whitman, microbiologista da mesma instituição, diz que a equipe de Sani está intensificando as experiências para que os extremófilos também produzam enzimas em condições mais adversas. "Em temperaturas mais altas, as reações químicas acontecem mais rápido e os catalisadores são
mais estáveis", disse Whitman."É mais barato executar um reator em alta temperatura, em vez de baixa temperatura, porque refrigerar é mais caro e muitas dessas reações geram calor".
Um dos pioneiros da biotecnologia de extremófilos, Eric Mathur, isola genes a partir de um crescimento de bactérias em águas profundas de fontes hidrotermais, e depois transfere o material genético a plantas de milho. Agora, ele encontrou extremófilos em pinhões-mansos do deserto cujas sementes produzem um composto com 40% de óleo. Sua empresa tem plantações na
Guatemala, Brasil e Índia, e está vendendo a mistura a companhias aéreas europeias que querem usam biocombustíveis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *