Cianport reforça aposta no Norte do país

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Pagot, ex-presidente do Dnit e consultor da Cianport: planos ambiciosos no Norte

A Companhia Norte de Navegação e Portos S.A. (Cianport), joint venture criada em 2012 para ser o braço logístico de Fiagril, que tem 32% da empresa, e Agrosoja, dona de 68%, pretende colocar de pé até abril de 2015 a primeira fase da sua estrutura de escoamento de grãos do Centro-Oeste pelo Norte do país. As obras contemplam um terminal de transbordo fluvial flutuante em Miritituba, no Pará, e um terminal no porto público de Santana, no Amapá. A expectativa da empresa é que todas as licenças saiam até agosto, de forma a permitir o início das operações a partir da safra 2015/16.

Em entrevista ao Valor, o ex-presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, à frente, como consultor, da estruturação logística da Cianport, disse que esta é a primeira parte de um projeto mais ambicioso. Além dos dois empreendimentos, a empresa dará início à construção de um porto privativo, também no Amapá, de uma frota fluvial de 60 barcaças e seis empurradores e mantém conversações para a construção de uma fábrica de processamento de soja com capacidade para 3 mil toneladas por dia, para agregar mais valor às exportações.

Juntas, essas obras para o escoamento pelo Norte demandarão aporte de R$ 613 milhões, a maior parte financiado. "Estamos em fase final de negociação com um parceiro do setor privado para [construir] a indústria", afirmou Pagot

Na nova rota para os grãos, parte da soja e do milho produzidos no Centro-Oeste seguirão de caminhão pela BR-163 até o distrito paraense de Miritituba, à margem direita do rio Tapajós, onde será transferida a barcaças que descerão até o porto de Santana. Após 2017, esse escoamento também deverá já contar com a opção do Terminal de Uso Privativo (TUP), na Ilha de Santana. A fábrica de processamento ficará perto dele. Na quarta-feira, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou a proposta da Cianport para construção e exploração desse TUP, que ocupará uma área própria de 270 mil metros quadrados.

Segundo Pagot, o escoamento será pequeno na safra 2015/16 – de "500 mil toneladas no máximo". A expectativa é chegar a 1,8 milhão de toneladas em 2016/17 e a 3,5 milhões a partir de 2017/18.

Mas, conforme Pagot, os investimentos mais vultosos são justamente os que mais agregarão valor à rota logística – R$ 170 milhões no terminal privativo, R$ 251 milhões nas barcaças e empurradores e R$ 110 milhões na planta de processamento de soja, que será administrada por uma das sócias da Cianport.

Os planos da empresa para a região reverberam estratégias semelhantes de grandes grupos multinacionais que atuam no Brasil, como Bunge, Cargill e ADM. Todos têm grandes investimentos previstos em portos no Pará, que despontou como o mais novo canal de escoamento de grãos de Mato Grosso para o exterior. Hoje, a maioria esmagadora dos grãos embarcados do Brasil saem pelos portos do Sul e Sudeste, congestionados e mais distantes.

Enquanto a concorrência se posicionou em Miritituba e em portos em Santarém e Barcarena, todos no Pará, a Cianport optou por Miritituba e subiu um pouco maias – levantou suas instalações portuárias no Amapá. A escolha tem relação com o potencial de expansão do plantio de soja no Estado amazônico, que complementaria a carga do Centro-Oeste, e com o fato de as lavouras estarem na "boca" do porto.

"Será a tonelada de soja mais rentável do mundo", afirmou um concorrente. "A soja sairá do campo direto para o porto da Cianport. Isso significa custo zero de frete ou US$ 100 a menos por tonelada de soja".

Com boas condições climáticas e solo fértil, o Cerrado amapaense tem despertado o interesse de pequenos e médios produtores e até de grandes grupos vindos de regiões tradicionais. Estimativas do governo estadual apontam para um plantio potencial de até 350 mil hectares de soja no Amapá, ante os 9 mil atuais.

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Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo