Chuvas castigam a produção de hortaliças no Estado de São Paulo

Arquivo pessoal

Plantação de alface em Itapira (SP); chuva afetou desenvolvimento da folhosa

Embora janeiro seja tradicionalmente chuvoso em São Paulo – o que deveria favorecer o desenvolvimento das lavouras de hortaliças no interior do Estado -, as precipitações ao longo de 10 dias seguidos durante este mês voltaram a castigar o cinturão agrícola da região. Em meados de 2016, chuvas fortes já haviam prejudicado a oferta de verduras e legumes no Estado.

Entre as principais culturas atingidas, as folhosas – tais como alface e rúcula- foram as mais prejudicadas. Em algumas regiões, a quebra na produção chegou a até 80%, reduzindo a oferta, a qualidade e elevando os preços.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o preço médio da caixa de 18 pés de alface americana praticado no atacado paulista passou de R$ 9 em 12 de janeiro para R$ 19,70 no dia 24, alta de mais de 118%.

Silvana Campos, produtora de alface de Itapira (SP), afirma que, com as chuvas, o tamanho dos pés diminuíram. Se uma unidade preenchia uma embalagem de 30 por 40 centímetros, hoje são necessários cinco pés. "Na semana que vem, vou ter que pular dias de entrega porque a verdura não tem mais qualidade e nem quantidade suficientes". Segundo Silvana, que perdeu 80% da produção, "a verdura não tem qualidade porque está muito estragada e amarelada".

Também em Itapira, o produtor Paulo César Martins enfrentou chuvas acima da média. Ele estima uma perda de 45% da produção. "Esta época é comum chover, mas este ano está de arrebentar. Não tem como trabalhar a terra e nem como plantar porque o solo fica duro depois da chuva. Precisaria passar o trator de novo, mas se a máquina entra no campo ela fica atolada", diz. De acordo com Martins, serão necessários pelo menos 40 dias para que a oferta de folhosas volte ao normal em São Paul. Mas para isso, o clima tem de se normalizar.

Segundo Paulo Etchichury, sócio diretor da Somar Meteorologia, as chuvas incessantes dos últimos dias foram reflexo da chegada de uma frente fria associada à formação da zona de convergência do Atlântico Sul, o que retroalimenta as precipitações. "É uma condição que não acontece sempre, mas é típica do verão, dando sustentação para esse período chuvoso continuo", explica. Segundo ele, a zona de convergência já perdeu intensidade, mas uma nova frente fria deve trazer mais chuva para a região, embora mais localizadas e intercaladas com momentos de sol.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor

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