Chuva traz esperança à cidade e ao campo no Rio Grande do Sul

Volume acumulado nesta quinta ajuda a recuperar mananciais e preparar o solo para o ciclo de inverno

Rodrigo Philipps

Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Chuva chega tarde demais para reduzir perdas no campo

Escassa nos últimos seis meses, a chuva dessa quinta, dia 26, regou de esperança os municípios atingidos pela seca na metade norte do Rio Grande do Sul. Mesmo tarde demais para reduzir perdas no campo, ela ajuda a recuperar mananciais e preparar o solo para o ciclo de inverno.

Nas cidades, apesar de insuficiente, alivia discretamente quem sofre com o racionamento. Levantamento divulgado pela Emater aponta que a soja atinge 87% da área colhida com perdas que ultrapassam 43% da produção. Devido à estiagem, ainda há solicitações de perícia para o Proagro em algumas regiões do Estado. Isso que faz com que o produtor aguarde o término do processo para finalizar a colheita.

Nas lavouras de milho, cuja área colhida chega a 80%, as precipitações recentes só beneficiaram quem plantou no fim de fevereiro e início de março, fora do limite indicado pelo zoneamento agroclimático. As perdas ultrapassam 42%. Entretanto, o pessimismo da safra de verão contrasta com a expectativa para o ciclo de inverno.

Segundo o engenheiro agrônomo da Emater, Alencar Rugeri, a chuva na região ajuda a preparar o solo para o plantio de trigo, cevada e canola, que deve se intensificar em maio. No caso do trigo, a previsão é de aumento na produção. No planalto médio, o avanço na área plantada de canola é estimado em 15%.

– A chuva também é boa para a colheita ao restabelecer a umidade do solo, mas será preciso regularidade e bons volumes para normalizar a situação – observa Rugeri.

A chuva traz esperança às cidades. Em Erechim, no norte do Estado, o racionamento completou três semanas com precipitação insuficiente para estancá-lo. Segundo a Corsan, o acumulado de 45 milímetros desde quarta, dia 25, aumentou em oito centímetros o nível da barragem, que ainda está 3,39 metros abaixo do normal.

Técnicos acreditam que com 2,5 metros abaixo do nível será possível suspender o racionamento, que divide a cidade em duas. Em cada setor, só há abastecimento a cada 14 horas. No município, as chuvas nos últimos seis meses foram apenas 22% da média histórica, registrando em março e abril os menores índices do Estado.

– Só chuvas regulares de 90 a 100 milímetros poderão amenizar a escassez de forma mais expressiva – destaca Rodimar Passaglia, gerente da Corsan em Erechim.

Prognósticos do Inmet indicam que na metade norte do Rio Grande do Sul, o acumulado de chuva em maio será de 50 a 75 milímetros acima da média histórica. Porém, nos próximos dias, alerta a meteorologista Estael Sias, da Central de Meteorologia da RBS, a previsão é que a chuva seja mais intensa no nordeste, na serra, no litoral e na região metropolitana.

Fonte: Ruralbr | Leandro Becker | leandro.becker@zerohora.com.br ZERO HORA

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