Chuva que não dá trégua no RS provoca muitos estragos no campo

 

O mau tempo levou prejuízos a quase toda a região central do estado.
A produção de tabaco de Venâncio Aires está comprometida em 40%.

O granizo voltou com força ao Rio Grande do Sul. Em Encantado, região central do estado, pedras de gelo destruíram completamente um aviário. A produtora Claurides Castoldi estava preparada para receber uma nova remessa de frangos e agora lamenta o prejuízo de R$ 300 mil. “Nós trabalhamos bastante para pagar isso tudo, ainda estamos devendo e nunca sobra. Nós não conseguimos mais tocar para frente”, fala, chorando.

Em quase todas as propriedades na região central do estado, o mau tempo deixou prejuízos. Em alguns locais, o granizo arrasou as lavouras e para alguns agricultores não há como salvar a produção deste ano.

É o caso de Euclides Petri, de Venâncio Aires, que perdeu tudo. As folhas de fumo que estavam prontas para a colheita foram totalmente destruídas. O prejuízo calculado é de mais de R$ 250 mil.

A produção de tabaco do município ficou 40% comprometida. Segundo a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil), o prejuízo chega a quase R$ 60 milhões. Além do granizo, a chuva encharcou os campos, diminuindo a oferta de pasto para os animais.

Em Rio Grande, no sul do estado, as perdas na safra de cebola podem chegar a 70%. O produtor Fábio Carvalho já estava com quase oito toneladas de cebola prontas para a comercialização, só que os 3,5 hectares de lavoura ficaram alagados.

As plantações de trigo também foram afetadas pela chuva. É tanta água que os agricultores têm dificuldade em colocar as máquinas no campo. A previsão inicial era de que o estado produziria em torno de 2,5 milhões de toneladas, mas a Emater calcula que as perdas cheguem a quase 300 mil toneladas.

O excesso de chuva prejudica também as lavouras de arroz. Em Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, quase 500 hectares do grão foram alagados pela enchente do Rio Uruguai. Segundo a Emater, toda a área vai ter que ser replantada. O problema é que o período recomendado para o plantio já encerrou. “Nós estamos nos distanciando do período ideal de plantio, que vai até 20 de outubro. Nós vamos ter lavouras que vão entrar no período reprodutivo quando a curva de luminosidade já for decrescente. Isso com certeza vai implicar na perda de produtividade”, explica João Carlos Batassini, agrônomo da Emater.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil e segundo maior em trigo, perdendo apenas para o Paraná.

Nádia StrateVenâncio Aires, RS

Fonte : Globo

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