Chuva provoca alagamento no Parque de Exposições Assis Brasil

Espaços de máquinas e de provas de equinos foram os mais afetados

Espaços de máquinas e de provas de equinos foram os mais afetados

A pouco mais de um mês do início da Expointer, o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, volta a ser atingido por alagamentos. As chuvas intensas, que provocaram perdas em todo o Rio Grande do Sul nos últimos dias, colocaram debaixo d’água uma grande área do parque, especialmente a destinada aos expositores de máquinas e implementos agrícolas e a pistas de provas de equinos.
A cheia dos arroios que passam perto do local contribui para o alagamento, afetando também a pista de provas do cavalo Crioulo, onde tradicionalmente é realizada a final do Freio de Ouro.
De acordo com o subsecretário do parque, Sérgio Bandoca, os motores de drenagem são instalados durante a feira e somente áreas onde não há construção foram afetadas até o momento. Neste ano, o evento acontece de 29 de agosto a 6 de setembro. A Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) confirmou ontem que as pistas de provas também foram inundadas. Segundo o vice-presidente Administrativo Financeiro da ABCCC, César Hax, não é a primeira vez que ocorrem alagamentos no entorno do parque. A preocupação fica por conta da proximidade da Expointer. "É uma época de chuva, o que é normal. Mas ainda temos um evento de El Niño previsto. Nos preocupa muito pelo nível de investimento que está se fazendo dentro do parque", salienta.
Durante a Expointer de 2013, a pista do cavalo Crioulo passou por problema semelhante com o alagamento do local logo após à final do Freio de Ouro. Na ocasião, a programação da raça na feira foi alterada com a realização da Morfologia transferida para a sexta-feira na pista do gado leiteiro e as provas do Freio Jovem e Freio do Proprietário duas semanas após o término do evento. Depois desse episódio, a ABCCC realizou algumas intervenções no local com o objetivo de facilitar o escoamento da água e minimizar os problemas decorrentes das intempéries.
Além disso, Hax lembra também os problemas gerados para a população da região, que, em episódios como este, sofre com os alagamentos e a perda de bens. "Falamos do evento, mas o principal é o desconforto da população em geral. Há uma preocupação nossa com o evento Expointer, mas há um caso muito mais grave de pessoas que trabalham e perdem os seus bens", reforça.

Chuva leva municípios a decretarem emergência

Por Isabella Sander

Devido ao grande volume de chuva registrado desde domingo à noite no Estado, três municípios já decretaram situação de emergência. Rolante e Riozinho, no Vale do Paranhana, assinaram o decreto na segunda-feira. Ontem, foi a vez de Esteio, que tem 1,5 mil desalojados e mais de 600 desabrigados encaminhados a alojamentos municipais.
No município da Região Metropolitana, choveu de 180 a 200 milímetros em 36 horas, ultrapassando em 150% a média do mês. O prefeito Gilmar Rinaldi afirmou que essa é a maior enchente que a cidade já viveu. Devido à situação, o Executivo municipal antecipou para hoje as férias escolares, que começariam somente na segunda-feira.
Segundo o secretário de Obras de Esteio, José Luiz da Silva, até o final da tarde, 700 pessoas foram retiradas de pontos de alagamento. Em sua maioria, são idosos, cadeirantes e crianças. Os salvamentos prosseguiriam durante toda a noite. A prefeitura pede doação especialmente de água e fraldas para as crianças. Além disso, faltam roupas, alimentos e colchões.
Em coletiva de imprensa realizada ontem, os prefeitos de Esteio, Canoas e Sapucaia do Sul anunciaram que solicitarão audiência com a presidente Dilma Rousseff para pedir a liberação de recursos para a construção de bacias de contenção com capacidade para 1,3 mil litros d’água na região. O projeto, entregue em maio, já está aprovado e terá verba de R$ 136 milhões, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
As bacias são áreas destinadas a receber volumes de água quando há excesso de chuvas, evitando a enchente em locais habitados. Hoje, os prefeitos devem se reunir com o governador José Ivo Sartori para pedir apoio e acelerar as obras.
Conforme Silva, o transtorno pela falta das bacias é maior para Esteio, que acaba se tornando o destino da água drenada de cinco grandes canais.
"A drenagem de dentro do município está funcionando normalmente, mas o Rio dos Sinos está com mais quatro metros de altura e com previsão de que suba dois centímetros por hora. Por isso, tememos que haja mais bairros inundados nos próximos dias", diz o secretário.
Caso a situação piore, abrigos em Osório estão de prontidão para receber os esteienses. Se as bacias já tivessem sido construídas, o alagamento registrado agora não teria ocorrido.
Os pontos mais críticos do Estado são os rios da Bacia do Caí e o Rio dos Sinos, que estão subindo muito rapidamente. A Defesa Civil monitora o nível de alerta desses locais. Em Porto Alegre, uma família ficou desabrigada depois que uma árvore caiu e atingiu sua residência. As pessoas foram encaminhadas ao Centro Administrativo Regional Partenon.
Local de frequentes alagamentos, a região das ilhas, na Capital, ainda não apresentou transtornos. "Caso o vento aponte para o Sul, pode haver inundações nas ilhas, pois o Delta do Jacuí desaguaria ali. Entretanto, a água chegaria em Porto Alegre entre quinta e sexta-feira. Desde já, estamos monitorando as réguas na área", garante o secretário-adjunto municipal da Defesa Civil, Hélio Oliveira.

Fonte: Jornal do Comércio |

FAGNER ALMEIDA/ABCCC/DIVULGAÇÃO/JC

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